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Perda de Nagorno-Karabakh leva Armênia a se distanciar de Moscou
O primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, anunciou neste domingo (24) uma mudança de alianças, dando as costas para Moscou, após o Azerbaijão ter invadido Nagorno-Karabakh, tumultuando o mapa de influências da Rússia no Cáucaso.
Em um discurso transmitido pela televisão, Nikol Pashinyan descreveu as atuais alianças de seu país como "ineficazes", em alusão às relações com a Rússia, herdadas do tempo em que a Armênia fazia parte da União Soviética.
"Os sistemas de segurança estrangeiros, dos quais a Armênia participa, mostraram-se ineficazes para proteger sua segurança e seus interesses", declarou Pashinyan, em um discurso transmitido pela televisão.
O primeiro-ministro decidiu não mobilizar o Exército armênio contra esta intervenção do Azerbaijão, deixando os separatistas desta região - povoada principalmente por armênios - sozinhos contra o poder militar de Baku.
"A Armênia nunca renunciou às suas obrigações nem traiu seus aliados. Mas a análise da situação mostra que os sistemas de segurança e os aliados, com os quais contamos há tempos, estabeleceram como objetivo mostrar nossa vulnerabilidade e a incapacidade do povo armênio de ter um Estado independente", acrescentou.
- Aliança Pós-Soviética -
A Armênia continua fazendo parte da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), uma aliança militar liderada pela Rússia, mas já havia dado sinais de distanciamento, mesmo antes da ofensiva desta semana em Nagorno-Karabakh pelo Exército do Azerbaijão, que precipitou uma guinada fora da esfera de influência de Moscou.
A OTSC é uma aliança nascida em 2002 que reúne várias ex-repúblicas soviéticas em torno da Rússia: Armênia, Belarus e também, na Ásia Central, Cazaquistão, Quirguistão e Tadjiquistão. A Armênia também abriga uma base russa, em Gyumri, onde milhares de soldados estão estacionados.
Com sua intervenção televisiva neste domingo, "Pashinyan agrava deliberadamente as tensões com a Rússia", disse o analista armênio independente Beniamin Matevossian, entrevistado pela AFP.
"Trata-se mais de chantagem do que de uma mudança na linha de política externa. Ele diz abertamente à Rússia: 'Se vocês não cuidarem dos armênios de Karabakh, deixarei a OTSC'", considerou o especialista.
Segundo ele, com esse movimento, Pashinyan procuraria transferir a culpa para Moscou, no momento em que a população armênia expressa sua irritação com o governo por sua gestão da crise e por sua política de não intervenção militar.
"O discurso de Pashinyan procura, antes de mais nada, mobilizar em torno dele não apenas seus aliados políticos e seu partido, mas também um círculo mais amplo de cidadãos" face ao movimento de protesto, afirmou o analista independente Hakob Badalyan.
A Rússia ocupa uma posição central neste conflito entre Armênia e Azerbaijão.
"Tem um jogo geopolítico aí. Criou-se uma pequena força russa de manutenção da paz em 2020", que "sempre oscilou e manipulou ambos os lados", afirmou Thomas de Waal, do "think tank" Carnegie Europe, em uma análise divulgada esta semana.
Mas, com o ataque lançado pelo Azerbaijão, "reforçou-se a impressão de que houve um acordo entre Moscou e Baku", acrescentou.
Segundo ele, a Rússia estaria punindo Pashinyan por sua "inclinação pró-ocidental" cada vez mais acentuada.
O anúncio de domingo confirma um distanciamento que já dura meses. Em janeiro, a Armênia se recusou a abrigar as manobras da OTSC e, no mês passado, participou de exercícios militares com os Estados Unidos, algo que Moscou não viu com bons olhos.
E.Flores--AT