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Líderes da Asean pedem à junta de Mianmar que interrompa ataques contra civis
Os governantes da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), que participam em uma reunião de cúpula na Indonésia, condenaram os atos de violência contra os civis em Mianmar e admitiram que seu plano de paz para solucionar a crise neste país se encontra estagnado.
Os chefes de Estado e de Governo da Asean pediram um "desescalada da violência" e o "fim" dos ataques contra os civis, as casas e os edifícios públicos, segundo uma declaração consultada pela AFP.
Mianmar enfrenta um cenário de violência desde que um golpe militar derrubou em 2021 o governo democrático de Aung San Suu Kyi e deu início a uma violenta repressão contra os dissidentes.
Os dirigentes examinaram a aplicação de um plano de paz de cinco pontos, assinado em 2021 pela Asean e pela junta militar, mas praticamente não aplicado.
"Não houve progresso significativo na aplicação dos cinco pontos", declarou o ministro das Relações Exteriores da Indonésia, Retno Marsudi, à imprensa.
Os líderes também decidiram retirar a presidência rotativa do bloco regional de Mianmar em 2026 e atribuí-la às Filipinas.
O presidente filipino, Ferdinand Marcos, confirmou que o país estava disposto a assumir a presidência da Asean em 2026".
"Reforçaremos as bases de nossa comunidade e guiaremos a Asean para um novo capítulo", acrescentou, segundo um comunicado.
Os membros do bloco, integrado por 10 países, muitas vezes criticado por sua falta de eficácia, estão divididos sobre que posição adotar diante da prolongada crise em Mianmar, um dos países membros do grupo.
- Gesto pragmático -
A Asean não convida os representantes da junta militar para as reuniões de alto escalão do grupo.
Alguns países desejam excluir Mianmar do bloco e outros querem manter o diálogo com os militares.
A mudança na presidência rotativa da Asean é um "gesto pragmático", que garantirá que a agenda do grupo não seja "sequestrada" pela crise em Mianmar, afirmou à AFP uma fonte diplomática próxima às discussões e que pediu anonimato.
De modo paralelo ao encontro de cúpula, que acontece sem a presença de qualquer representante de Mianmar, dois líderes de partidos políticos aprovados pelos militares anunciaram que a junta "provavelmente" organizará eleições em 2025.
O governo dos Estados Unidos afirmou que eleições organizadas pela junta seriam uma "farsa".
- Mapa polêmico -
O presidente indonésio, Joko Widodo, fez um alerta durante a reunião contra os riscos geopolíticos na região.
"Os futuros desafios serão cada vez mais complexos devido à concorrência entre as grandes potências", declarou.
As ações de Pequim no Mar da China Meridional, da qual reivindica quase a totalidade, também estão entre as principais preocupações dos países membros do bloco.
Pequim divulgou na semana passada um mapa que reivindica soberania sobre a maior parte do Mar da China Meridional, agravando a disputa entre o país e os países da Asean.
O mapa provocou muitas críticas países da região, como Malásia, Vietnã e Filipinas.
Os líderes do bloco expressarão preocupação com "as reivindicações territoriais, atividades e incidentes graves" nesse mar, de acordo com o rascunho do texto final.
Uma fonte diplomática afirmou que os governantes estabeleceram como meta concluir até 2026 as negociações com a China sobre um código de conduta no mar disputa.
Após o encontro da Asean acontecerá a Cúpula do Leste Asiático, que tem 18 países, incluindo Estados Unidos, China, Japão, Índia e Rússia.
Pequim será representada pelo primeiro-ministro, Li Qiang, e Moscou pelo ministro das Relações Exteriores, Serguéi Lavrov.
A vice-presidente americana, Kamala Harris, representará o presidente Joe Biden.
P.Hernandez--AT