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Cristiano Ronaldo e sua última chance de levantar a Copa do Mundo
Na reta final de sua carreira, o astro português Cristiano Ronaldo segue em frente com uma sede inabalável de glória rumo ao que anunciou ser sua última Copa do Mundo, ainda motivado pela obsessão de erguer o troféu que falta na imensa lista de conquistas.
Jogador com mais partidas e maior artilheiro da historia da seleção portuguesa, o cinco vezes Bola de Ouro chega para sua sexta Copa do Mundo, no entanto, como uma figura que já não é intocável.
Portugal fará sua estreia na quarta-feira (17), no Grupo K, contra a República Democrática do Congo, em Houston. Em seguida, enfrentará Uzbequistão e Colômbia.
Aos 41 anos, CR7 vive um momento midiático e esportivo desconfortável, contestado entre os portugueses.
Sua lucrativa transferência para o futebol da Arábia Saudita, o encontro amplamente divulgado com Donald Trump e seus problemas legais (condenação por fraude fiscal e acusações de estupro, ambas arquivadas) arranharam sua imagem.
Ao invés de se aposentar após uma carreira excepcional, o ídolo de Real Madrid e Manchester United assinou com o Al-Nassr em 2023, trazendo assim os holofotes para o então pouco conhecido campeonato saudita.
Apesar da chegada de outras estrelas como Neymar e o francês Karim Benzema, o projeto de transformar a Saudi Pro League em uma competição comparável aos principais campeonatos europeus rapidamente perdeu força.
- Gols e gols -
Mas CR7 cumpriu sua missão: acumular gols (28 em 30 jogos nesta temporada) e escrever uma nova página em seu currículo, com um título conquistado em maio, que ele comemorou em lágrimas.
Nessa aventura na Arábia Saudita, ele ultrapassou a marca de 900 gols na carreira, o que pode ter permitido curar as feridas da Copa do Mundo de 2022, no Catar, que teve um final amargo tanto coletiva quanto individualmente.
Em solo Catari, Cristiano foi relegado ao banco de reservas pelo técnico Fernando Santos nos jogos eliminatórios e, após entrar em campo, não conseguiu alterar o destino do jogo das quartas de final contra o Marrocos (derrota por 1 a 0).
Foi mais uma decepção para o astro português, que não chega à semifinal do Mundial desde a sua primeira participação, em 2006, e cujo título da Eurocopa de 2016 foi marcado por uma lesão que o levou a ser substituído nos primeiros minutos da final.
Desde então, ele recuperou sua condição de titular sob o comando do espanhol Roberto Martínez, que afirma separar "o ícone do futebol mundial" do jogador que está sob seu comando, "que está sujeito às mesmas exigências que todos os outros".
"Ele tem a competitividade necessária para estar na Copa do Mundo e é, do meu ponto de vista, um capitão exemplar", destacou o treinador de 52 anos ao anunciar a participação de Cristiano Ronaldo em sua sexta Copa do Mundo, um recorde que também será alcançado pelo astro argentino Lionel Messi, seu grande rival, e pelo goleiro mexicano Guillermo Ochoa.
- Última chance -
Liderando o ataque português, CR7 provou mais uma vez ser decisivo, marcando um gol na final da Liga das Nações da Uefa de 2025 contra a Espanha e mais cinco durante as Eliminatórias portuguesas para a Copa do Mundo de 2026.
Mas o cartão vermelho que recebeu contra a Irlanda em novembro do ano passado por uma cotovelada serviu como um lembrete de suas fragilidades. O gancho de um jogo de suspensão, no entanto, não tirou o camisa 7 de nenhum dos compromissos da seleção portuguesa na Copa.
Por vezes nervoso, o artilheiro pode ser dominado pela emoção e pelo peso das suas ambições.
Nas oitavas de final da Euro 2024, Cristiano desabou em lágrimas após perder um pênalti contra a Eslovênia. Ele não havia marcado naquele torneio, ampliando seu jejum após ter balançado as redes apenas uma vez no Mundial do Catar.
Sempre temido, CR7 já não é a fera física de outrora, e seu raio de ação, agora menos amplo, corre o risco de limitar a criatividade da seleção portuguesa, que conta com uma geração de grandes talentos, num futebol moderno de intensidade cada vez mais alta.
Mas esses limites reais não devem ser suficientes para destronar Cristiano Ronaldo, na ausência de outras soluções óbvias: reserva no Paris Saint-Germain, seu principal concorrente, Gonçalo Ramos, também não conseguiu se firmar na seleção.
Na América do Norte, o camisa 7 terá, portanto, uma última chance de liderar seus companheiros rumo ao título máximo, consolidando ainda mais seu status de lenda.
O.Ortiz--AT