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Milhares de manifestantes fecham avenida que dá acesso a estádio da Copa no México
Milhares de manifestantes bloquearam uma avenida que leva ao Estádio Azteca, na Cidade do México, nesta terça-feira (9), em mais um dia de protestos a apenas 48 horas do início da Copa do Mundo de 2026.
O protesto foi organizado por um grupo dissidente do sindicato de professores, a CNTE, que vem liderando manifestações caóticas na capital mexicana desde a semana passada.
O Estádio Azteca sediará a cerimônia de abertura do Mundial na quinta-feira, com a partida entre México e África do Sul.
"Pretendemos chegar ao estádio", disse à AFP Ángel Villalobos, um dos professores que participavam do protesto que exige um aumento salarial e a revogação de uma lei previdenciária, medidas que o governo considera inviáveis. "O governo deu algumas respostas, mas elas não são nem favoráveis nem satisfatórias", acrescentou Villalobos.
As autoridades também mobilizaram milhares de policiais, que instalaram barreiras de concreto e posicionaram um reboque atravessado na via para bloquear o trajeto da marcha.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, garantiu mais cedo que a cerimônia "está assegurada" e descartou o uso da polícia para reprimir manifestantes.
"Vemos isso como uma provocação, uma forma de dizer: 'Olhem só como a situação no México está ruim'", disse Sheinbaum em sua coletiva de imprensa diária. "Não há problema no México... bem, há muitos problemas, mas nós os enfrentamos. Não há nenhum assunto relacionado ao descontentamento social".
"A Copa do Mundo será desfrutada de qualquer forma", afirmou ela.
O México vai sediar o Mundial pela terceira ocasião, após 1970 e 1986, desta vez em conjunto com os Estados Unidos e o Canadá. O torneio começa na quinta-feira (11) e termina em 19 de julho.
"Estamos apenas começando, e a festa já está acontecendo no México", disse Ingrid Orozco, especialista em relações internacionais de 40 anos, em uma feira gastronômica que contava com barracas de países participantes da Copa do Mundo.
O México também corre contra o tempo para concluir reformas nas estações de metrô e em seu principal aeroporto.
- "Vamos continuar nossa luta" -
A CNTE está em greve desde a semana passada. O grupo bloqueia ruas diariamente, e seus integrantes chegaram a derrubar um conjunto de estátuas em homenagem à Copa do Mundo no movimentado Paseo de la Reforma, na Cidade do México.
"Vamos continuar nossa luta aqui", disse Austreberto Flores, que também participava da manifestação rumo ao estádio.
Os professores também montaram um acampamento a poucos quarteirões da praça central Zócalo, onde ficará a principal 'Fan Fest' da capital.
O governo afirma ter melhorado as condições para os professores e pede diálogo.
A CNTE convocou novos protestos para quinta-feira, dia da partida de abertura. Familiares de pessoas desaparecidas também planejam ir às ruas nesse dia.
"Eles querem fazer parecer que há uma grande agitação social no México, mas isso não é verdade", insistiu Sheinbaum.
A presidente não comparecerá à cerimônia de abertura da Copa do Mundo no Estádio Azteca. Ela afirmou que está avaliando se participará da 'Fan Fest' no Zócalo, onde também fica o Palácio Nacional, conforme planejado inicialmente.
"Vamos ver como a situação com os professores se desenrola", disse ela sobre sua presença. "Preciso acompanhar isso de perto".
A.Clark--AT