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Djokovic-Fonseca: a lenda e a promessa medem forças em Roland Garros
A promessa diante da lenda: a terceira rodada de Roland Garros reserva nesta sexta-feira (29) um choque de gerações entre João Fonseca e Novak Djokovic, de 19 e 39 anos, um duelo dos sonhos para o brasileiro, ansioso para "viver essa experiência" antes da aposentadoria do sérvio.
"Meu plano depois da aposentadoria é treinar o Fonseca, vou cobrar muito caro dele, então se prepare!", brincava Djokovic no ano passado no US Open.
Será preciso esperar... Por enquanto, o homem mais laureado da história, com 24 títulos de Grand Slam, ainda não terminou de escrever sua lenda, com um 25º grande troféu em mente, objetivo que persegue em Paris.
Em jogo, uma vaga nas oitavas de final, contra Casper Ruud ou Tommy Paul.
Um "grande prazer" para João Fonseca, que não esperava outra coisa: "Sempre disse ao meu treinador que queria estar na chave do Novak, porque sei que isso (a carreira do sérvio) não vai durar muito mais tempo, então só quero viver essa experiência na minha vida", explicou em entrevista coletiva na quarta-feira.
O jovem tenista carioca expressou enorme admiração pelo sérvio, já perto dos 40 anos.
"Vou aproveitar cada instante jogando contra um ídolo, o GOAT (maior jogador de todos os tempos) deste esporte."
- "Ele me inspirou" -
"A história que Djokovic escreveu é simplesmente incrível", disse sobre o homem dos 101 títulos.
"Ele me inspirou. Inspirou a próxima geração e a geração anterior. Claro que vou respeitá-lo, mas vou tentar fazer o melhor possível e vencer", acrescentou.
Fonseca disputa neste ano seu segundo Roland Garros e tentará, contra o tricampeão em Paris, ir mais longe do que em 2025, quando perdeu para o britânico Jack Draper na terceira rodada.
Djokovic também elogiou João Fonseca: "Ele tem sido muito exaltado nesses últimos dois anos... Acho que seu potencial e suas qualidades como jogador de tênis são evidentes, não há nenhuma dúvida".
O sérvio sabe também que Fonseca poderá contar com "um grande apoio brasileiro" nas arquibancadas.
Nada que vá abalar a lenda, que se alimenta dos ventos contrários, como nas duas primeiras rodadas contra os franceses Giovanni Mpetshi Perricard e Valentin Royer, partidas que venceu em quatro sets numa quadra central completamente favorável aos tenistas da casa.
Djokovic vê em Fonseca "um jogador de grandes ocasiões", a quem "realmente agradam esses momentos".
"Ele perfeitamente pode disparar grandes golpes e fazer uma grande partida", prevê.
- A onda de calor, o outro adversário -
Em meio a uma onda de calor, que vem colocando à prova o físico dos tenistas desde o início do torneio, o estado de frescor físico também será determinante, sobretudo levando em conta que a partida está programada para o período diurno, no terceiro jogo da Quadra Central.
Após uma partida "esgotante" na quarta-feira, o sérvio destacou a dificuldade de jogar em "condições muito complicadas".
Ele sabe que a sexta-feira será "novamente um dia extremamente quente", enquanto a agência meteorológica francesa prevê o fim desse episódio precoce de calor no domingo.
Fonseca, por sua vez, mostrou-se tranquilo quanto à sua condição física após sua intensa batalha de cinco sets contra Dino Prizmic, croata de 20 anos e número 72 do mundo.
"Fisicamente aguentei bem e consegui virar depois de estar dois sets abaixo", afirmou sobre sua reação na partida.
O brasileiro, que havia eliminado em três sets o francês Luka Pavlovic na primeira rodada, passou 5h41 sobre o saibro em dois jogos, quase uma hora menos do que Djokovic (6h35).
No caldeirão da Quadra Central, onde nesta quinta-feira o número 1 Jannik Sinner se despediu, esse extra de frescor pode ser precioso na hora de desafiar o mestre do tempo, que, no entanto, começa a sentir o peso da idade.
R.Garcia--AT