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Paraguai volta à Copa do Mundo com a mesma garra e mais futebol
Depois de 16 anos de ausência, o Paraguai está de volta à Copa do Mundo sob o comando do técnico argentino Gustavo Alfaro e sua combinação tradicional de solidez defensiva com a criatividade de atacantes como Julio Enciso e Miguel Almirón.
Os paraguaios farão sua estreia no dia 12 de junho, em Los Angeles, contra a seleção dos Estados Unidos, uma das anfitriãs do torneio.
Também no Grupo D, a equipe sul-americana enfrentará a Turquia em 19 de junho e a Austrália no dia 25 de junho, com ambos os jogos em Santa Clara, na Califórnia.
A expansão do Mundial para 48 seleções, que aumentou o número de vagas diretas da Conmebol de quatro para seis, foi fundamental para o retorno do Paraguai.
Com a sexta colocação nas Eliminatórias, os paraguaios encerraram uma década e meia de frustrações e projetos instáveis, após sua participação na Copa de 2010, na África do Sul.
Com o argentino Gerardo Martino como treinador, o Paraguai obteve seu melhor resultado em Mundiais até hoje, chegando às quartas de final, quando foi eliminado pela Espanha, posteriormente campeã.
A edição da África do Sul marcou a conclusão de um ciclo bem-sucedido, com quatro participações consecutivas em Mundiais e uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas-2004, que o Paraguai agora quer retomar.
"Recuperamos nossa identidade. Recuperamos a tranquilidade e a força na defesa, sendo agressivos no meio-campo e cirúrgicos no ataque. O Paraguai não tem que mudar nada", disse o ex-goleiro José Luis Chilavert, ídolo do futebol paraguaio, em entrevista à AFP.
Gustavo Alfaro, que já classificou o Equador para a Copa do Mundo de 2022, é o quarto técnico argentino consecutivo no comando do Paraguai, depois de Daniel Garnero, Guillermo Barros Schelotto e Eduardo Berizzo.
"Os treinadores anteriores chegaram querendo implementar o sistema que desejavam, e os jogadores não se identificaram", explicou Chilavert.
"Alfaro fez ajustes e introduziu um estilo de futebol muito mais simples, e isso rendeu resultados positivos para a seleção", analisou o capitão das seleções paraguaias nas Copas de 1998 e 2002.
- "O time que ninguém quer enfrentar" -
A chegada de Alfaro em agosto de 2024 revitalizou a seleção paraguaia, que havia perdido o rumo nas Eliminatórias, mas que depois emendou uma sequência de nove jogos sem derrota e reacendeu o vínculo com os torcedores.
"Gostaria que o Paraguai fosse o time que ninguém quer enfrentar, que lute com mais garra do que os demais e que nunca abra mão de sua atitude", enfatizou o técnico argentino ao expor sua filosofia durante sua primeira entrevista coletiva no cargo.
A 'muralha guarani', com os zagueiros Omar Alderete (Sunderland) e Gustavo Gómez (Palmeiras), sofreu apenas dez gols nos 18 jogos das Eliminatórias para a Copa do Mundo.
Já o ataque não foi tão eficiente, com 14 gols marcados. O Paraguai ainda não consegue gerar um volume como Argentina, Brasil e Uruguai. No entanto, as três maiores potências do continente voltaram com derrota na bagagem quando visitaram Assunção, graças ao brilho de joias como Julio Enciso e Diego Gómez.
Enciso despontou como uma das grandes promessas do futebol sul-americano ao fazer sua estreia pela seleção aos 17 anos, para depois fazer as malas rumo à Premier League. Agora, ele terá sua primeira oportunidade no cenário mundial, após uma retomada nesta temporada com a camisa do Strasbourg, da França.
Também parte da nova safra, Diego Gómez, de 23 anos, é um meio-campista ofensivo que teve Lionel Messi como mentor no Inter Miami.
Assim como Enciso, Gómez fez sua primeira parada na Europa no Brighton, onde brilhou em setembro do ano passado ao marcar quatro gols em um jogo da Copa da Liga Inglesa contra o Barnsley.
O veterano do ataque é Miguel Almirón, de 32 anos, jogador comandado por Tata Martino no Atlanta United, da MLS.
O.Gutierrez--AT