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Freiburg, o azarão em busca da glória em sua primeira final europeia
O Freiburg nunca conquistou um título, nem se classificou para a Liga dos Campeões, mas tem a oportunidade de realizar os dois feitos se derrotar o Aston Villa nesta quarta-feira (20), na final da Liga Europa.
A partida marca a segunda grande final na história do clube, após a Copa da Alemanha de 2022, e representa o ponto culminante de uma evolução constante ao longo dos últimos anos.
Enquanto gigantes alemães com grandes torcidas — como Hamburgo, Schalke e Stuttgart — tropeçaram e sofreram rebaixamentos nas últimas temporadas, o Freiburg se consolidou como um time com presença constante nas competições europeias.
Minutos após derrotar o Braga e chegar à final, Nicolas Höfler, meio-campista de 36 anos e prestes a se aposentar após duas décadas no clube, permaneceu no gramado enquanto os torcedores invadiam o campo.
Ele disse aos repórteres que mal conseguia acreditar no que o "pequeno Freiburg" havia conquistado.
As rigorosas normas alemãs sobre a propriedade dos clubes, baseadas no modelo de associação dos torcedores, restringem investimentos externos, o que significa que existem poucos atalhos para o sucesso para os clubes ambiciosos.
- Melhoria metódica e pertencimento -
O Freiburg é um exemplo clássico de melhoria metódica e gradual, alicerçada em decisões acertadas e um forte senso de identidade e pertencimento.
Como prova disso, os dois treinadores mais importantes da história do Freiburg, Volker Finke e Christian Streich, permaneceram no comando por uma década cada, mesmo depois de terem sofrido rebaixamentos.
O atual técnico, Julian Schuster, assumiu o cargo em 2024, após ter jogado pelo time de 2008 a 2018.
Em sua temporada de estreia, Schuster levou o Freiburg à beira da classificação para a Liga dos Campeões. Este ano, o Freiburg chegou às semifinais da Copa da Alemanha e à final da Liga Europa.
O núcleo do elenco é composto por vários jogadores de longa trajetória, muitos dos quais saíram das categorias de base.
O capitão Christian Günter, o zagueiro Matthias Ginter, Höfler e a jovem promessa Johan Manzambi são apenas alguns dos atletas revelados pelo clube.
Ginter, de 32 anos e nascido em Freiburg, afirmou que os valores coletivos da equipe serviram de alicerce para o sucesso alcançado.
"Trata-se das virtudes compartilhadas que distinguem o clube há anos e nos trouxeram até onde estamos hoje", disse Ginter, campeão mundial em 2014 pela Alemanha, na semana passada.
"Nos últimos anos, houve um progresso constante. Pessoalmente, embora talvez não tenhamos as maiores estrelas individuais no papel, funcionamos perfeitamente como equipe. Como o futebol é um esporte coletivo, isso acaba dando muito certo".
Ginter descreveu o duelo contra o Villa como "a partida mais importante da história do clube, e vamos com tudo".
O capitão Günter, de 33 anos, passou toda a sua carreira no clube, mas deixou claro que simplesmente chegar à final não é o suficiente.
"Não faz sentido perder. Essa é a mentalidade que temos de levar conosco. Esperamos poder erguer a taça no final. Vivenciar isso seria incrível. Você pode sonhar o quanto quiser. Mas, primeiro, tem que fazer acontecer", declarou.
W.Stewart--AT