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Nicole Silveira e Kim Meylemans: recém-casadas e rivais olímpicas
Não faz nem seis meses que a belga Kim Meylemans e a brasileira Nicole Silveira se casaram, mas a viagem à Itália não foi para a lua de mel. As duas estão no país para se enfrentar no skeleton dos Jogos Olímpicos de Inverno.
Elas se casaram em agosto do ano passado, em uma cerimônia civil em Calgary, no Canadá. Foi ali que compraram uma casa e mantêm seu lar quando não estão competindo pelo mundo.
Nicole, de 31 anos, já vivia em Calgary. Ex-fisiculturista, ela trabalha alguns meses por ano como enfermeira. Kim, de 29, nasceu na Alemanha, mas defende a Bélgica em competições esportivas, e se mudou para o Canadá para viver com a companheira.
- Team BB -
O relacionamento começou durante a pandemia de covid-19. As duas ficaram hospedadas no mesmo hotel e, diante da falta de opções de lazer causada pelas restrições, começaram a conversar.
"Elas são um casal e, ao mesmo tempo, competem uma contra a outra, o que torna tudo ainda mais especial. O principal é que mostram que, acima de tudo, estão as pessoas, e não a rivalidade esportiva", disse à AFP o preparador físico das duas, o argentino Fernando Oliva.
"São duas jovens muito extrovertidas e simpáticas, o que as torna populares e faz com que as pessoas gostem delas", acrescentou.
Oliva integra a equipe técnica que Kim e Nicole compartilham desde 2023, quando formalizaram o "Team BB" (Bélgica e Brasil). O projeto virou uma marca no circuito do skeleton, com a silhueta das atletas, as bandeiras dos dois países e a imagem do time estampadas em camisetas, moletons e gorros.
O objetivo sempre foi claro: dividir uma equipe enxuta, formada por treinador, preparador físico e fisioterapeuta, para reduzir custos.
"No Brasil e na Bélgica, o skeleton não é um esporte popular, gera pouco dinheiro, e elas precisam de recursos para viagens, aluguel de pistas e treinadores. Por isso decidiram unir forças", explica Oliva, que trabalha com Kim há 10 anos.
- Carreiras em progressão -
Desde que a atleta se mudou para o Canadá, parte significativa do trabalho do preparador é feita de forma online, a partir de Hasselt, na Bélgica. A fórmula, no entanto, tem dado resultado. Kim Meylemans foi campeã europeia em 2024 e repetiu o título em 2026, no mês passado, em St. Moritz. Nicole, por sua vez, teve uma evolução marcante e, em 2024, tornou-se a primeira brasileira a subir ao pódio em uma etapa da Copa do Mundo da modalidade, em Pyeongchang, na Coreia do Sul.
Em Jogos Olímpicos, Meylemans ficou em 14º lugar em 2018 e em 18º em 2022, edição em que precisou se isolar nos dias anteriores à prova após testar positivo para covid. Naqueles Jogos, Silveira, que estreava em uma Olimpíada e já era sua companheira, terminou em 13º lugar.
"Nos Jogos de 2022 foi difícil. Já estávamos juntas, mas ainda em equipes diferentes, então não sabíamos o que era segredo e o que não podíamos contar para a rival", disse Silveira, porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura na sexta-feira, em uma entrevista recente ao canal do Comitê Olímpico Brasileiro enquanto caminhava por Cortina d'Ampezzo, sede das provas de skeleton de Milão-Cortina.
Agora, as duas querem disputar as primeiras posições.
"Nenhuma delas veio à Itália apenas para viver a experiência. Vieram para buscar o melhor resultado possível, para brigar por medalhas. Mas, no trabalho de preparação mental, não insistimos muito nesse discurso", afirma Oliva.
- Reivindicação LGBTQ -
No dia do casamento, Kim publicou um longo texto em sua conta no Instagram e já pensava em disputar os Jogos ao lado de Nicole como um casal visível.
"O atual governo italiano, de Giorgia Meloni, está tomando decisões que prejudicam a comunidade LGBTQ+. Será muito especial competir ali como um casal casado e dar nossa contribuição ao casamento igualitário", afirmou na ocasião.
A prova feminina do skeleton será decidida no sábado, dia 14 de fevereiro. Será também o primeiro Dia dos Namorados de Kim e Nicole desde o casamento.
L.Adams--AT