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Sabalenka evita falar de política após tenista ucraniana pedir exclusão de russas e bielorrussas
A número 1 do circuito feminino, Aryna Sabalenka, disse nesta quarta-feira (21) que "não quer falar de política", depois que a ucraniana Oleksandra Oliynykova pediu a exclusão das jogadoras russas e bielorrussas do tênis enquanto continua a invasão da Rússia à Ucrânia.
Oliynykova, de 25 anos, cujo pai luta na linha de frente no conflito que começou em 2022, participou pela primeira vez de um Grand Slam nesta edição do Aberto da Austrália e foi eliminada na estreia pela atual campeã do torneio, a americana Madison Keys, na terça-feira.
Após o jogo, ela foi à entrevista coletiva usando uma camisa com a mensagem: "Preciso de sua ajuda para proteger as mulheres e as crianças ucranianas, mas não posso falar sobre isso aqui".
Segundo as normas dos Grand Slams, os jogadores são proibidos de fazer declarações políticas nas sedes das competições.
No entanto, em uma entrevista ao jornal Melbourne Age nesta quarta-feira, a ucraniana criticou as jogadoras russas e bielorrussas, que competem sob bandeira neutra, como atletas independentes.
"Acho que é muito injusto que elas não sejam desclassificadas do tênis, como acontece em outros esportes", declarou Oliynykova.
"Porque eu sei que a imagem que se projeta é a de todas nós, as tenistas, jogando, mas as pessoas não veem o que existe por trás".
Sabalenka, que é bielorrussa, declarou em outras ocasiões que o esporte "não tem nada a ver com a política" e, nesta quarta-feira, reiterou sua posição.
"Já falei muito sobre isso antes, obviamente. Quero a paz, e se eu pudesse mudar algo, com certeza mudaria", disse a número 1 do mundo após se classificar para a terceira rodada do Aberto da Austrália.
"Fora isso, não tenho nada mais a dizer".
Quando perguntada sobre o pedido de Oliynykova para proibir sua participação, Sabalenka respondeu: "Estou aqui pelo tênis. É um evento de tênis. Já falei o suficiente antes e simplesmente não quero falar de política aqui".
Belarus é um aliado próximo da Rússia de Vladimir Putin.
Oliynykova afirmou que não conversa com as jogadoras russas e bielorrussas nos vestiários nem nas quadras de treinamento.
"Não me comunico com elas. Mas, como sabem, as pessoas não estão informadas sobre isso e, se eu tiver que falar, falarei, porque acho injusto".
- Explosão -
Ao contrário de outras tenistas profissionais ucranianas, Oliynykova continua vivendo e treinando em seu país, apesar da constante ameaça dos bombardeios russos.
Pouco antes de viajar para a Austrália, ela quase foi afetada por um desses ataques.
"Houve uma explosão perto da minha casa e um drone caiu na casa em frente", contou. "Meu apartamento literalmente tremeu por causa da explosão".
Outra tenista ucraniana, Marta Kostyuk, também se pronunciou abertamente sobre a guerra e se nega a cumprimentar as jogadoras russas e bielorrussas, a última delas Sabalenka, após perder a final do WTA 500 de Brisbane, há dez dias.
Elina Svitolina também afirmou que era importante manter o conflito em evidência.
"A guerra já dura quatro anos. Já falamos sobre isso várias vezes", disse Svitolina após se classificar para a terceira rodada do Aberto da Austrália nesta quarta-feira, ao vencer a polonesa Linda Klimovicova.
"Para mim, agora o assunto está resolvido. Uma posição já foi tomada. A WTA e a ATP já tomaram uma decisão", acrescentou Svitolina, ao falar sobre a permissão de jogadores e jogadoras russos e bielorrussos nas competições.
"Agora, o que podemos fazer é entrar em quadra, tentar jogar bem, representar nosso país da melhor maneira possível e não esquecer que podemos usar nossas vozes para conseguir ajuda e chamar a atenção para a nossa pátria".
P.Hernandez--AT