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Mohammed Ben Sulayem é reeleito presidente da FIA
O atual presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Mohammed Ben Sulayem, dos Emirados Árabes Unidos, permanecerá no comando da entidade que rege o automobilismo mundial até pelo menos 2029, após as eleições realizadas nesta sexta-feira (12), nas quais foi o único candidato.
O dirigente de 64 anos, que sucedeu ao francês Jean Todt em 2021, foi reeleito apesar de um mandato marcado por controvérsias e tensões, incluindo aquelas relacionadas ao próprio processo eleitoral, mas também pela melhoria das finanças da instituição.
"Estou comprometido em continuar trabalhando pela FIA, pelo automobilismo, pela mobilidade e por nossos clubes membros em todas as regiões do mundo", declarou, em nota, o emiradense, 14 vezes campeão no Campeonato de Rali do Oriente Médio.
Durante seu primeiro mandato, ele concentrou sua campanha na modernização da FIA e no aumento da transparência. Além disso, prometeu uma auditoria externa da governança da instituição, assim como uma revisão de suas finanças.
Durante sua gestão, o órgão que governa, entre outras categorias, a Fórmula 1, o Campeonato Mundial de Rali (WRC) e o Campeonato Mundial de Endurance (WEC), passou de um déficit em 2021 de US$ 28 milhões (aproximadamente R$ 156 milhões, na cotação da época) para um lucro, em 2024, de US$ 5,5 milhões (R$ 34 milhões).
"Se me perguntarem o que eu teria feito de diferente, eu diria: nada. Eu não teria chegado tão longe sem superar esses desafios, esses ataques...", respondeu em entrevista no começo do mês para vários meios de comunicação, incluindo a AFP.
- Tensões -
Seu primeiro mandato foi marcado por tensões e controvérsias. Em 2022, por exemplo, a FIA reforçou as regras e os controles relativos às roupas íntimas (exigindo que sejam à prova de fogo) e ao uso de joias (como brincos e piercings), medidas que alguns pilotos de Fórmula 1 consideraram invasivas.
Ben Sulayem foi depois acusado de tentar impedir a inclusão do Grande Prêmio de Las Vegas no calendário da Fórmula 1 em 2023 e de tentar influenciar os resultados do Grande Prêmio da Arábia Saudita no mesmo ano.
Em ambos os casos, ele foi absolvido pelo Comitê de Ética da FIA.
O presidente também foi criticado por pilotos de rali e de Fórmula 1 por impor multas pesadas pelo uso de palavrões durante transmissões de televisão. Ele acabou tendo que reduzir os valores devido à ampla repercussão negativa.
Em abril, Robert Reid, então vice-presidente da FIA e próximo de Ben Sulayem, renunciou, criticando duramente a gestão do presidente: "Decisões estão sendo tomadas a portas fechadas, ignorando as estruturas e as pessoas que a FIA tem o dever de representar", afirmou.
- Processo eleitoral polêmico -
O processo eleitoral também tem sido fonte de controvérsia.
Laura Villars, uma cidadã suíça que pretendia concorrer à eleição, contestou as regras do processo, alegando que elas impediam qualquer candidato da oposição de aspirar à presidência da organização.
O regulamento eleitoral exige que os candidatos nomeiem vice-presidentes de cada uma das seis regiões do mundo, escolhidos a partir de uma lista aprovada pela FIA.
No entanto, a lista para a América do Sul continha apenas uma pessoa elegível: a brasileira Fabiana Ecclestone, esposa do ex-chefe da Fórmula 1, Bernie Ecclestone. Ela concordou em integrar a equipe de Ben Sulayem, impedindo, assim, a apresentação de candidaturas alternativas.
Ben Sulayem se defendeu das críticas. "Não mudamos nada. As regras já existiam. Eu simplesmente as herdei", declarou.
Na semana passada, um tribunal em Paris, onde fica a sede da FIA, decidiu não suspender a eleição, mas ordenou um julgamento para examinar o processo eleitoral. A primeira audiência está marcada para 16 de fevereiro.
A.Taylor--AT