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'Caso Horner' ofusca Dia da Mulher na Fórmula 1
Num dia em que as mulheres deveriam estar no centro das atenções na Fórmula 1, o 'caso Horner', no qual uma funcionária da Red Bull foi suspensa, é o que continua ocupando as manchetes.
Coincidindo com o Dia Internacional da Mulher, esta sexta-feira (8) marca o início da segunda temporada da competição 100% feminina F1 Academy, no circuito de Jidá, que será palco do Grande Prêmio da Arábia Saudita no sábado.
Tudo faz parte de um esforço para atrair mais mulheres para a Fórmula 1 e encontrar sucessoras para Maria Teresa de Filippis, que disputou cinco corridas no final dos anos 1950, e Lella Lombardi, segunda e última mulher a pilotar na categoria, na Áustria, em 1976.
O debate deveria se centrar no rendimento e nas possibilidades de vitória da francesa Doriane Pin (Mercedes), da holandesa Maya Weug (Ferrari), da britânica Abbi Pulling (Alpine) e da filipina Bianca Bustamante (McLaren).
No entanto, a grande discussão na principal categoria do automobilismo é sobre o futuro do chefe da Red Bull, Christian Horner, após a denúncia de "comportamento inapropriado" para com uma funcionária da equipe.
Horner, que foi mantido no cargo e estava presente no GP do Bahrein na semana passada, quando Max Verstappen venceu a primeira corrida da temporada, negou as acusações e foi inocentado pela Red Bull depois de uma investigação interna.
O britânico declarou à imprensa na quinta-feira que era "o momento de seguir em frente e traçar um limite".
"Houve uma denúncia, que foi investigada de perto e rejeitada. A partir daí, temos que passar para outra coisa", disse o diretor de 50 anos.
Mas nem todos na equipe compartilham desta opinião, pois no mesmo dia a funcionária que fez a acusação foi suspensa sem nenhuma explicação.
"A Red Bull não pode fazer nenhum comentário", disse um porta-voz da escuderia.
Horner também foi evasivo ao ser perguntado sobre a suspensão.
"É confidencial", disse. "Estamos todos sujeitos às mesmas restrições. Mesmo que eu quisesse falar sobre isso, não posso".
- Verstappen de saída da Red Bull? -
Se a Red Bull tinha esperanças de deixar o assunto encerrado com uma rápida investigação, estas foram pelos ares após as declarações do ex-piloto Jos Verstappen sobre Horner.
Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, o pai de Max Verstappen disse que a Red Bull iria "explodir" se Horner fosse mantido na equipe.
Além disso, ele criticou a postura do diretor, que falou sobre ataques à sua família, após ser visto publicamente ao lado de sua esposa, Geri Halliwell, no Bahrein.
"Se faz de vítima quando ele é a causa do problema", disse Jos Verstappen.
De maneira diplomática, Max falou pouco a respeito e disse que seu pai "nunca mente". Mas o ex-piloto alemão Ralf Schumacher, irmão mais novo do heptacampeão mundial Michael Schumacher, expressou sua opinião sobre o que pode significar este atrito.
"Se Christian Horner se agarrar ao cargo com tudo o que isso implica, não só vai prejudicar a Red Bull, como também fará com que [Max] Verstappen deixe a equipe", declarou Ralf ao jornal austríaco Kronen Zeitung.
Segundo vários rumores, Jos Verstappen teria se reunido com o chefe da Mercedes, Toto Wolff, no GP do Bahrein, aumentando as especulações sobre um movimento do holandês para ocupar o posto de Lewis Hamilton, já que o britânico vai para a Ferrari em 2025.
E Wolff colocou lenha na fogueira ao declarar que "tudo é possível" quando foi perguntado sobre uma eventual chegada de Verstappen à escuderia alemã para ser companheiro de George Russell, que aprovou a ideia.
"Acho que qualquer equipe quer ter os melhores pilotos possíveis e Max é o melhor piloto do grid no momento", disse Russell.
"Qualquer equipe que tiver a oportunidade de contratar Max tentará 100%. A questão depende mais de sua postura e da Red Bull", acrescentou o britânico.
Os diretores da Red Bull podem ficar diante de uma delicada situação se tiverem que escolher entre o bem-sucedido chefe Christian Horner, ligado estreitamente ao engenheiro-projetista Adrian Newey, ou o tricampeão mundial Max Verstappen, de longe o melhor piloto da Fórmula 1 atualmente.
O.Gutierrez--AT