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Trump anuncia 'guerra econômica' contra o Irã, que ironiza 'política fracassada'
Com a estagnação do conflito entre Estados Unidos e Irã, que está perto de completar seis meses, o presidente Donald Trump pretende aplicar uma "guerra econômica" sem precedentes para encurralar Teerã, que permanece firme e ironiza o que chama de "política fracassada".
Para o ministro das Relações Exteriores da República Islâmica, Abbas Araghchi, o plano anunciado por Trump na quarta-feira (19) tem como objetivo criar "uma distração em relação à própria crise dos Estados Unidos".
"Dobrar a aposta em políticas fracassadas trará apenas uma nova derrota e a inimizade dos iranianos", escreveu Araghchi nesta quinta-feira (20) na rede social X.
Durante o conflito, iniciado pelos ataques de Israel e Estados Unidos em 28 de fevereiro, Trump multiplicou as declarações incendiárias e as mudanças de postura.
Porém, entre a impopularidade da guerra no cenário político americano e reservas de munição reduzidas, o imprevisível magnata republicano parece ter optado recentemente por uma postura mais cautelosa.
De fato, as hostilidades diminuíram no plano militar, apesar da retomada da guerra no mês passado e do colapso de um protocolo de acordo assinado em junho.
Nesta nova estratégia, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, já havia ameaçado na semana passada o Irã com um isolamento econômico "como o mundo nunca viu".
- "Pressão máxima" -
Trump anunciou a nova campanha de pressão econômica na quarta-feira em uma mensagem na plataforma Truth Social.
"Hoje anuncio A OPERAÇÃO ECONÔMICA MAIS ESMAGADORA JÁ EMPREENDIDA CONTRA QUALQUER PAÍS! Será uma guerra econômica e um isolamento em uma escala sem precedentes", escreveu Trump, que exigiu o fim do "contrabando de petróleo, do intercâmbio de moedas e das transferências em espécie", sem mencionar nenhum país ou revelar detalhes.
"Também anuncio que QUALQUER país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais ofereçam qualquer tipo de tábua de salvação ao Irã enfrentará, por sua vez, TREMENDAS consequências econômicas", acrescentou.
Trump defende uma política de "pressão máxima" sobre o Irã, que consistiu em impor sanções econômicas durante seu primeiro mandato e restabelecê-las assim que voltou à Casa Branca em janeiro de 2025.
Mas o Irã não cedeu até o momento. Teerã mantém o bloqueio ao Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial no Oriente Médio por onde transitavam, antes da guerra, 20% do petróleo e gás exportados no mundo.
As autoridades iranianas mencionam abertamente a possibilidade de operações de ataque na rota, que se tornou uma alavanca estratégica contra Washington.
Durante uma reorganização de cargos importantes do comando militar no início de agosto, o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, defendeu o "fortalecimento da dissuasão máxima e a preparação para operações ofensivas em larga escala".
- "Economia da resistência" -
A economia do Irã, enfraquecida por décadas de sanções internacionais, enfrenta um duro teste provocado pela guerra.
Em 22 de julho, a inflação atingiu 66% nos últimos 12 meses, contra 46% em fevereiro, e a moeda do país segue em queda livre: na quarta-feira, um dólar era negociado por 1,88 milhão de riais, contra 1,65 milhão pouco antes do conflito.
Em uma mensagem divulgada em maio, Mojtaba Khamenei pediu que as empresas evitassem demissões e fez um apelo aos parlamentares por medidas destinadas a apoiar a "economia da resistência", para aliviar a pressão sobre as famílias.
A expressão "economia da resistência", utilizada pela primeira vez em 2010 por seu pai e antecessor, o líder supremo Ali Khamenei, que morreu em um bombardeio no primeiro dia da guerra, é uma referência à redução da dependência de outros países.
A guerra se propagou por toda a região, já que o Irã adotou medidas de retaliação contra os aliados de Washington no Golfo e os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados por Teerã, atacam instalações de petróleo e navios sauditas no Mar Vermelho, do outro lado da península.
Na terça-feira, os Emirados Árabes Unidos, um dos principais parceiros comerciais do Irã, acusaram a República Islâmica de ter lançado dois mísseis balísticos, que caíram no mar, na direção da "navegação marítima".
Teerã nega a acusação, mas a diplomacia de Abu Dhabi anunciou a suspensão, até novo aviso, de "todo o comércio e transações financeiras" entre os dois países.
burs-cgc/hme/arm/avl/fp-jc
G.P.Martin--AT