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COP30 mantém luta climática mas omite abandono das energias fósseis
A COP30 ignorou neste sábado, em Belém, os chamados para que o mundo trace um caminho para o abandono das energias fósseis.
Os países produtores de petróleo e grandes potências, como China e Rússia, conseguiram frustrar o desejo de mais de 80 países de iniciar a eliminação do petróleo, gás e carvão.
Após duas semanas de negociações, a primeira COP da ONU na Amazônia conseguiu fazer quase 200 países chegarem a um acordo no momento em que o multilateralismo oscila, mas às custas da redução de suas ambições.
O texto final defende que se acelere a ação climática de forma "voluntária", e que se triplique até 2035 o financiamento para a adaptação climática de nações em desenvolvimento.
Cerca de 80 países, incluindo Colômbia, França e Espanha, haviam se mobilizado com o objetivo de obter um mapa do caminho para o abandono do gás, petróleo e carvão. "A Colômbia se opõe a uma declaração da COP30 que não diga a verdade científica ao mundo", reagiu no X o presidente Gustavo Petro.
A UE também expressou decepção. O descontentamento de Colômbia, Uruguai e outros países levou momentaneamente à interrupção da sessão de encerramento neste sábado, em Belém.
O representante russo, Sergei Kononuchenko, acusou em espanhol os países latinos de se comportarem "como crianças" que querem "todos os doces", o que levou a críticas de outros países da região.
Rússia, China e Índia, membros do Brics, juntamente com o Brasil, enalteceram o trabalho da presidência brasileira da COP, que incorporou suas posições. É um "sucesso, em uma situação difícil", disse à AFP o negociador-chefe chinês, Li Gao. "Um resultado significativo", expressou a Índia, em nome de seus aliados.
- Proposta de Lula -
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estimou que o multilateralismo "venceu". O Brasil quis mostrar na COP30 que o multilateralismo não havia morrido, apesar da ausência do presidente americano em Belém.
Lula, que promove um projeto de exploração de petróleo na Amazônia, havia elevado as expectativas ao pedir na COP30 um mapa do caminho para o abandono das energias responsáveis pelo aquecimento global, o que encorajou o grupo de países que lutam para promover esse tema, que inclui Colômbia, França, Espanha, Holanda e Quênia.
O confronto em Dubai em 2023 (COP28), quando o mundo concordou pela primeira vez com a eliminação progressiva do gás, petróleo e carvão, repetiu-se em Belém. Mas os países produtores, como Arábia Saudita, Irã e Rússia, desta vez não cederam.
O presidente da COP30, André Correa do Lago, anunciou que o Brasil vai trabalhar nos próximos meses na elaboração de um mapa do caminho para o abandono das energias fósseis, ao qual os países interessados poderão se somar. O mesmo será feito em relação ao desmatamento.
Colômbia e Holanda anunciaram uma conferência internacional contra as energias fósseis em abril de 2026, na cidade colombiana de Santa Marta.
Para o Greenpeace, os anúncios soam "como prêmio de consolação", embora vão "permitir que o trabalho continue no ano que vem e não se perca o impulso dado em Belém".
- Ajuda triplicada -
O planeta está perto de atingir o limite de aquecimento global de 1,5°C estabelecido há uma década pelo Acordo de Paris. Os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados.
Os países em desenvolvimento conseguiram um chamado para que se triplique até 2035 a ajuda financeira para a sua adaptação a eventos climáticos cada vez mais extremos.
A COP30 contou com uma ampla presença da sociedade civil. Dezenas de milhares de pessoas se manifestaram nas ruas de Belém no último dia 15.
A conferência também teve uma participação recorde de indígenas. Um grupo deles, porém, protagonizou com ativistas uma tentativa de invasão à sede do evento, para exigir que fossem ouvidos.
Esse não foi o único incidente: um incêndio foi declarado na última quinta-feira na área dos pavilhões nacionais, o que levou à evacuação de milhares de participantes. A causa do fogo ainda não foi esclarecida.
W.Moreno--AT