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Morte de milhões de pessoas vítimas da fome é um 'fracasso coletivo', diz o papa
O papa Leão XIV criticou nesta quinta-feira (16) o fato de que milhões de pessoas no mundo passam fome e atacou "uma economia sem alma", que precisa de uma revisão das prioridades e dos modos de vida.
"Em uma época em que a ciência prolongou a expectativa de vida, a tecnologia aproximou continentes e o conhecimento abriu horizontes antes inimagináveis, permitir que milhões de seres humanos vivam e morram vítimas da fome é um fracasso coletivo, uma aberração ética e um pecado histórico", afirmou em um discurso na FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).
O Programa Mundial de Alimentos (PMA), outra agência da ONU, anunciou na quarta-feira que a fome a nível mundial registra "nível recorde".
Segundo a organização, também com sede em Roma, 319 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda, incluindo 44 milhões em níveis de emergência.
"Talvez o dado mais comovente seja o das crianças que sofrem desnutrição, com as consequentes doenças e o atraso no crescimento motor e cognitivo", disse Leão XIV.
"Isto não é casualidade, e sim o sinal evidente de uma (...) economia sem alma, de um modelo de desenvolvimento questionável e de um sistema de distribuição de recursos injusto e insustentável", afirmou em um evento por ocasião do 80º aniversário da FAO.
Leão XIV destacou uma série de "paradoxos ultrajantes", quando grandes quantidades de comida são desperdiçadas "enquanto multidões de pessoas se esforçam para encontrar algo para comer no lixo".
"Como explicar as desigualdades que permitem a poucos ter tudo e a muitos não ter nada?", perguntou.
O pontífice americano, que também tem cidadania peruana, citou em particular "Ucrânia, Gaza, Haiti, Afeganistão, Mali, República Centro-Africana, Iêmen e Sudão do Sul" como lugares onde "a pobreza se tornou o pão nosso de cada dia".
"Os cenários dos conflitos atuais fizeram ressurgir o uso dos alimentos como arma de guerra", disse.
O PMA advertiu na quarta-feira que os cortes de 40% em seu financiamento poderiam empurrar para a fome extrema 13,7 milhões de pessoas que recebem assistência atualmente.
A agência da ONU indicou que seis operações cruciais - no Haiti, Afeganistão, República Democrática do Congo, Somália, Sudão do Sul e Sudão - "enfrentam atualmente interrupções importantes que podem piorar até o final do ano".
N.Mitchell--AT