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Premiê francês se defende em comissão para explicar o que sabia sobre violência em escola católica
O primeiro-ministro da França, François Bayrou, se defendeu nesta quarta-feira (14) perante uma comissão parlamentar que investiga a violência física e sexual cometida durante décadas em uma escola católica, em meio a acusações de que ele estava ciente disso durante seu período como ministro da Educação.
"Mantenho minha declaração. Não tenho nenhuma outra informação como ministro da Educação (...) e não me beneficiei de nenhuma informação privilegiada", respondeu o chefe de governo às perguntas da comissão.
Bayrou, um aliado próximo do presidente de centro-direita Emmanuel Macron, é acusado de mentir sobre o que sabia a respeito das agressões sexuais cometidas na escola Sagrado Coração de Jesus em Bétharram, no sudoeste da França.
Vários ex-alunos apresentaram quase 200 denúncias contra a equipe religiosa e leiga da escola por violência física, agressões sexuais e estupros supostamente cometidos durante décadas.
Após um ano de investigação, a Promotoria abriu um processo judicial e, em fevereiro, acusou e prendeu um vigilante do centro.
O caso afeta diretamente o premiê, já que vários de seus filhos estudaram nesta renomada instituição católica perto de Pau, cidade da qual ele continua sendo prefeito, e sua esposa deu aulas de catecismo na escola.
"Se minha presença como alvo político permitiu que esses fatos viessem à tona, este 'Me Too' da infância, então terá sido útil", afirmou ele.
Enfraquecido como primeiro-ministro por não ter uma maioria clara na Assembleia Nacional, Bayrou perdeu popularidade nas pesquisas desde que o escândalo veio à tona.
Em 2021, a Comissão Independente sobre os Abusos Sexuais na Igreja (Ciase) estimou que cerca de 216 mil menores foram vítimas de padres e religiosos na França entre 1950 e 2020, um número que sobe para 330 mil se forem contabilizados os funcionários de instituições religiosas.
A.Ruiz--AT