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Com poucas esperanças, Colômbia continua remoção de escombros de terremoto
A Colômbia avança neste domingo (16) na remoção dos escombros deixados pela destruição provocada há quase uma semana por um forte terremoto, com poucas chances de resgatar sobreviventes.
O ruído de retroescavadeiras, guindastes e caminhões ecoa pelas áreas mais afetadas pelo terremoto de magnitude 7,4 que, na segunda-feira passada, derrubou milhares de casas, edifícios, hotéis e hospitais.
Começam a ficar para trás os momentos de silêncio que acompanharam as longas jornadas de busca e resgate após o terremoto mais letal na Colômbia neste século, que deixou cerca de 300 mortos.
O terremoto ocorreu horas depois da posse do novo governo do ultradireitista Abelardo de la Espriella, que no sábado pediu a seu aliado americano Donald Trump a suspensão temporária de tarifas para ajudar o país.
O oeste da Colômbia e a região cafeeira foram os mais atingidos e, quase uma semana após a tragédia, diminuem as esperanças de encontrar sobreviventes.
- Voluntários não desistem -
Em Cali, uma parede de um edifício de cinco andares que desabou após o terremoto foi marcada por um socorrista com um "V" vermelho cortado por uma linha horizontal, sinal que indica o fim das buscas por possíveis sobreviventes.
No entanto, socorristas voluntários se recusam a desistir.
"Apesar de terem nos dito que já se passaram muitos dias, continuamos procurando sobreviventes porque queremos continuar apostando na vida", afirmou à AFP o professor Juan Carlos Tabares, de 58 anos, que lidera com outros voluntários o ponto de resgate batizado de "Valentía".
Até o momento, há pelo menos cem desaparecidos após o terremoto, embora as chances de sobrevivência caiam drasticamente depois de 72 horas.
- Mais máquinas -
Uma mulher continua percorrendo os arredores de sua casa em busca de seu cachorro Lucky em Cali, a cidade com o maior número de mortos, 111.
Alguns vizinhos afirmaram ter ouvido seus gemidos entre os escombros, e as equipes de resgate ainda procuram o animal com microfones especiais sob os destroços do edifício.
"Já não havia pessoas vivas, mas moradores da região disseram que tinham ouvido Lucky chorando durante a noite e chamamos os voluntários para que viessem", contou Cristian Moreno, bombeiro de 32 anos.
O prefeito de Cali, Alejandro Eder, estimou que a reconstrução da terceira maior cidade da Colômbia custará pelo menos 3,2 bilhões de dólares (R$ 16,8 bilhões).
A Colômbia recebeu milhões em ajuda de países como os Estados Unidos e de organismos como o Banco Mundial.
Nas cidades mais afetadas pelo terremoto, muitos edifícios foram marcados com um "X" vermelho para alertar sobre o risco de desabamento e impedir a passagem de pedestres.
Em Pereira, quase totalmente afetada pelo terremoto, o ministro do Interior, Rodrigo Lara, pediu no sábado que empresários disponibilizassem máquinas para a remoção dos escombros, embora tenha alertado que ainda há pessoas sob os destroços.
W.Morales--AT