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Empresas americanas em 'pânico e paralisia' apesar de alívio tarifário
A montanha-russa de tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, imposta à China gerou prejuízos para as pequenas empresas americanas dependentes da produção chinesa e com poucas alternativas de fornecimento, segundo analistas e empresários.
Os pequenos negócios se viram em meio ao fogo cruzado das tensões comerciais entre Washington e Pequim, que chegaram a tarifas de 145% sobre os produtos chineses, o que a China respondeu com uma taxação de 125%.
As duas principais economias concordaram, no último fim de semana, em reduzir as tarifas para 30% sobre os produtos chineses e 10% sobre os bens americanos, como parte de uma pausa de 90 dias implementada a partir desta quarta-feira (14).
"A única opção é tentar manter a cabeça fora da água e resistir às ondas, ou fechar as portas", disse Anna Barker, cuja empresa Glo, sediada no Mississípi, vende brinquedos projetados nos EUA e fabricados na China.
Ela contou à AFP que a prorrogação de 90 dias é apenas uma pausa na história. "Leva muito mais tempo para fazer pedidos, fabricar produtos e enviá-los para os EUA", explica.
Embora otimista em relação às negociações em andamento, Barker adverte que as tarifas alfandegárias de 30% ainda são "enormes para uma pequena empresa".
Trump argumenta que as companhias não terão que pagar tarifas se fabricarem nos EUA. Mas colocar isto em prática é complicado porque, em muitos casos, elas teriam que importar maquinário ou matérias-primas.
"Somos uma empresa americana. Nossa maior prioridade, se depender só de nós, sempre será o mercado americano, mas simplesmente não é possível neste momento", diz ela, que está buscando crescer no exterior para sobreviver.
- Fluxos congestionados -
Steve Lamar, presidente da Associação Americana de Vestuário e Calçados (AAFA, na sigla em inglês), estima que a pausa "pode ajudar temporariamente a desobstruir" o que considera um embargo comercial imposto em 9 de abril, quando as tarifas elevadas forçaram muitas empresas a suspender as importações.
Mas 30%, além das taxações de administrações anteriores, "tornarão a volta às aulas e a temporada de férias mais caras", diz Lamar.
"As tarifas continuam tão altas que não é possível evitar que sejam repassadas" aos preços, explica a economista-chefe da KPMG, Diane Swonk.
Isto significa que produtores, varejistas e consumidores podem arcar com parte do ônus, sendo as pequenas empresas as mais atingidas devido às suas margens reduzidas.
As taxas de frete também podem aumentar devido a interrupções no transporte induzidas pelas tarifas.
"Há muitas reservas se acumulando nas fábricas da China que agora precisam ser transportadas", disse Josh Staph, diretor-executivo da Duncan Toys Company, sediada em Ohio.
Barker reconhece que sua empresa compete com outras para levar produtos aos portos em meio a um "fluxo muito congestionado".
As mudanças de política "provocaram pânico e paralisia" entre as empresas, argumenta Swonk, acrescentando que quando se tem uma janela como a de 90 dias, estes pequenos negócios "precisam se apressar", o que aumenta os custos de envio.
- Declínio nos investimentos -
A AAFA pede a Trump que chegue a acordos de longo prazo com a China e outros países para dar mais certezas às pequenas empresas.
Se as tarifas não forem removidas permanentemente, é provável que os EUA tenham "investimentos deprimidos", diz Philip Luck, pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais.
"As empresas permanecem em um limbo" em relação ao abastecimento e investimentos de longo prazo, adicionou.
Para a empresa de Barker, a resposta por enquanto pode ser expandir para fora dos Estados Unidos. Isto significa enviar produtos fabricados na China para países da Europa ou outros lugares para manter seus mais de 30 funcionários em solo americano.
M.O.Allen--AT