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Criação de empregos supera previsões nos EUA
As contratações nos Estados Unidos aumentaram mais do que o esperado em abril e o índice de desemprego permaneceu inalterado, apesar da incerteza gerada pelas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump.
Desde que retornou ao poder em janeiro, o magnata republicano tomou medidas para reduzir o número de funcionários e embarcou em uma guerra comercial que, segundo muitos economistas, provavelmente desacelerará o crescimento e aumentará a inflação.
Como o programa tarifário ainda está nos estágios iniciais, seu impacto ainda não foi refletido nas contratações.
A maior economia do mundo criou 177.000 empregos no mês passado, um pouco abaixo dos 185.000 em março, informou o Departamento do Trabalho em um comunicado nesta sexta-feira.
Desse modo, a criação de empregos permaneceu bem acima do consenso dos analistas de 130.000, de acordo com o Briefing.com.
O índice de desemprego permaneceu em 4,2%, em linha com as expectativas.
Setores como saúde, transporte e armazenamento, atividades financeiras e assistência social foram responsáveis por uma parcela significativa das contratações.
Pouco depois da divulgação dos dados, Trump usou sua plataforma Truth Social para destacar os números "sólidos" do emprego.
"Como eu disse, estamos em uma ETAPA DE TRANSIÇÃO, apenas começando!", ele escreveu.
"SEM INFLAÇÃO, O FED DEVERIA REDUZIR SUA TAXA!", acrescentou Trump, que é a favor de o Federal Reserve (banco central americano) reduzir as taxas de juros.
O banco central independente manteve sua taxa básica de juros entre 4,25% e 4,50% por meses. Seu objetivo é reduzir a inflação para sua meta de longo prazo de 2%.
O emprego federal, no entanto, caiu em 9.000 posições em abril, reduzindo o número total de funcionários públicos em 26.000 desde janeiro, de acordo com o Departamento do Trabalho.
O governo Trump enfrenta uma série de processos judiciais por suas tentativas de demitir dezenas de milhares de funcionários como parte de uma campanha de corte de custos.
Os salários médios por hora aumentaram 0,2%, para 36,06 dólares (R$ 204,10) em abril, informou o Departamento do Trabalho.
"Os mercados respiraram aliviados esta manhã, pois os dados do emprego foram melhores do que o esperado", escreveu Chris Zaccarelli, diretor de investimentos da Northlight Asset Management, em nota aos clientes.
"Enquanto os temores de recessão persistem, a tendência de compra (...) pode continuar, pelo menos até o fim da pausa tarifária", acrescentou, referindo-se à decisão de Trump de suspender as tarifas mais altas sobre dezenas de parceiros comerciais até julho.
Apesar dos dados desta sexta-feira, muitos analistas acreditam que as tarifas prejudicarão a criação de empregos no futuro.
"Será extraordinário se o emprego não for afetado este ano pelo aumento das tarifas de importação, pela queda dos preços dos ativos e pela extrema incerteza na política econômica", escreveram economistas da Pantheon Macroeconomics em uma nota aos investidores publicada na segunda-feira.
Esses fatores provavelmente "fazem com que muitas empresas adiem gastos não essenciais", acrescentaram.
J.Gomez--AT