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Milhares protestam contra impacto ambiental de projeto de mineração na Argentina
Milhares de manifestantes protestaram, nesta terça-feira (9), na cidade argentina de Mendoza contra um projeto de mineração por seu possível impacto no acesso à água.
O Senado da província homônima, 1.000 km a oeste de Buenos Aires, tem previsto votar nesta terça um pacote de propostas de exploração de cobre e ouro.
Nos arredores do Legislativo de Mendoza, os manifestantes ouviam o debate ao vivo exibindo cartazes com o lema "Com a água de Mendoza não se negocia", constatou a AFP.
As autoridades instalaram um dispositivo de segurança com mais de 500 policiais e um gradil que abrange várias quadras em torno do Parlamento local.
Um grupo com cerca de 2.000 manifestantes, integrado por Assembleias da Água de diferentes localidades da província, organizações sociais e partidos políticos, se deslocou de Uspallata, epicentro do principal projeto mineiro, a 100 km de Mendoza.
O projeto "São Jorge", próximo da cidade de Uspallata, perto da fronteira com o Chile, prevê uma mina de cobre a céu aberto, com um investimento de mais de 500 milhões de dólares (R$ 2,72 bilhões).
Conta com o apoio do governador da província Alfredo Cornejo, aliado político do presidente Javier Milei.
Mas o projeto gerou resistências no terreno e nas últimas semanas manifestações têm ocorrido em cidades como Uspallata, San Carlos, Lavalle e em Mendoza, capital da província.
"A maioria dos informes científicos são negativos ou preocupantes", disse à AFP Carlos Russo, membro da Assembleia de Água Oura de Las Heras, em cuja jurisdição fica Uspallata.
"É uma zona de águas cristalinas, de nascentes de água, onde um milhão e meio de pessoas vivem à jusante", prosseguiu.
Milei manifestou em várias ocasiões sua vontade de transformar a Argentina em uma potência exportadora de cobre, seguindo o exemplo de seu vizinho, o Chile, primeiro produtor mundial com reservas superiores às da Argentina.
Neste contexto, o presidente ultraliberal busca apresentar ao Congresso nacional uma reforma à "lei de glaciares".
A iniciativa tem como objetivo dar mais liberdade às províncias para avançar em projetos de mineração.
Segundo a Câmara de Empresas Mineiras, até 2032 a Argentina poderá triplicar suas exportações de cobre, que em 2024 foram de aproximadamente 4,6 bilhões de dólares (cerca de R$ 28 bilhões, na cotação da época).
Ch.Campbell--AT