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Crime organizado freia crescimento econômico na América Latina, afirma BM
O combate ao crime organizado na América Latina e no Caribe é uma prioridade, entre outras coisas porque freia o crescimento econômico, alertou o Banco Mundial nesta segunda-feira (28).
A organização considera este "um dos problemas mais urgentes da região", cuja economia deve crescer 2,1% em 2025 e 2,4% em 2026, o que a situa como a área de menor crescimento em nível mundial.
Há muito tempo, a região da América Latina e do Caribe "tem claudicado com um crescimento econômico anual medíocre, baixa produtividade", pobreza e altos níveis de desigualdade e "permanecerá presa neste equilíbrio pobre" até frear o crime organizado e a violência que traz consigo, aponta um relatório da instituição.
As taxas de homicídio nas Américas do Sul, Central e no Caribe "superam com folga as observadas em qualquer outra parte do mundo", destaca.
Embora a população da região represente aproximadamente 9% do total mundial, "registra um terço do total de homicídios" e o abismo aumentou, passando de uma taxa média 5,4 vezes maior que a do mundo (22,0 frente a 4,1) na primeira década deste século para uma oito vezes maior (23,9 frente a 3,0)" na segunda, assinala.
A taxa média de homicídio no período 2018-2022 variou de 38 por 100.000 habitantes em Honduras a 5 na Argentina e 4 na Bolívia.
Durante os últimos anos, a situação melhorou em países como El Salvador e Venezuela e se agravou em outros, como Equador e Haiti, acrescentou.
No médio e longo prazos, o relatório recomenda melhorar os sistemas educacionais e os mercados de trabalho, mas no curto prazo defende "priorizar o fortalecimento estratégico da capacidade nas prisões, das forças policiais e dos sistemas de justiça", bem como a prevenção dirigida a "jovens com risco de se incorporarem a grupos criminosos".
Não é fácil determinar o que está por trás do aumento do crime organizado na região, diz o BM, mas alguns fatores contribuíram.
A organização citou a demanda global de cocaína, ouro ilegal e tráfico de migrantes na década de 2010, a reorganização dos grupos devido às repressões governamentais, a maior disponibilidade de armas, a diversificação de seus negócios e a alta tecnologia.
A pandemia de covid-19 também influenciou. Na Colômbia e no México, "permitiu que as organizações criminosas ganhassem legitimidade e poder ao fornecer apoio social e governança, em alguns casos substituindo o Estado em áreas de forte pobreza e desigualdade", afirma o Banco Mundial.
"Em resposta ao fechamento das fronteiras durante a pandemia, o Tren de Aragua [organização criminosa surgida na Venezuela] passou de cobrar tarifas para facilitar a passagem dos migrantes a estabelecer sua própria operação, que inclui a propriedade de empresas de transporte e alojamento", acrescenta.
Em seus últimos dados, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estimou que os custos diretos do crime organizado alcançaram 3,4% do PIB da América Latina e do Caribe em 2022.
B.Torres--AT