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Incerteza econômica dispara por efeitos das tarifas de Trump
A incerteza pelas consequências econômicas das tarifas impostos pelo presidente Donald Trump só cresceu nesta quarta-feira (16), com os mercados em queda livre por causa das advertências do banco central americano sobre a possibilidade de aumento da inflação.
Desde que voltou à Casa Branca em janeiro, o magnata republicano lançou uma guerra comercial contra aliados e rivais que abalou a economia mundial. A China levou o pior, com tarifas adicionais de 145% para seus produtos, e respondeu com sobretaxas de 125%.
Em meio ao terremoto, Trump manteve-se otimista nesta quarta ao publicar nas redes sociais que houve um "progresso importante" nas conversas que mantém com o Japão sobre um acordo comercial para moderar suas tarifas.
Após as primeiras discussões, das quais o próprio Trump participou, o enviado japonês a Washington disse que os Estados Unidos querem alcançar um acordo nos próximos 90 dias.
Pouco depois, o primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, afirmou que o diálogo com Washington "não será fácil", mas que Trump "expressou seu desejo de lhe dar máxima prioridade".
Trump está confiante de que sua estratégia, que pretende fazer com que as tarifas levem a acordos com vários países, reduza as barreiras aos produtos americanos e desloque a produção manufatureira mundial para os Estados Unidos.
Contudo, a queda de braço entre Washington e Pequim, seu principal rival econômico, se acentua e, com isso, a preocupação por uma perturbação generalizada.
O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, advertiu nesta quarta que é "muito provável" que as tarifas de Trump provoquem um aumento temporário dos preços nos Estados Unidos, cujos efeitos "poderiam ser mais persistentes".
Também ressaltou a "volatilidade" que assola os mercados em um "momento de muita incerteza".
Tal instabilidade ficou palpável durante o pregão em Wall Street, onde o índice tecnológico Nasdaq chegou a cair mais de 4%, o ampliado S&P, mais de 3%, e o Dow Jones Industrial, mais de 2%.
No topo das baixas ficou a gigante de semicondutores Nvidia, que chegou a recuar momentaneamente mais de 10% após revelar que as novas restrições americanas à exportação de chips impostas como parte da disputa de Trump com a China vão lhe custar bilhões.
O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, também fez eco de Powell e alertou que "a incerteza e a volatilidade estão contribuindo sem dúvida para um ambiente econômico e empresarial mais cauteloso".
- 'Deixar de ameaçar' -
Enquanto o resto do mundo obteve por ora uma tarifa universal de 10%, a China instou os Estados Unidos nesta quarta a "deixarem de ameaçar e chantagear", depois que a Casa Branca transferiu para Pequim a responsabilidade de iniciar uma negociação.
"Não há vencedor em uma guerra tarifária ou em uma guerra comercial", disse Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. "A China não quer lutar, mas não tem medo de lutar."
Apesar dessa disputa, a economia chinesa cresceu 5,4% no primeiro trimestre. O resultado, melhor que o esperado, ainda não reflete os efeitos da escalada tarifária lançada em abril.
Mas Heron Lim, da Moody's Analytics, disse à AFP que o impacto será sentido no segundo trimestre, quando as tarifas começarem a "impedir as exportações chinesas e a reduzir o investimento".
A diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, considera que a incerteza provocada pelas tarifas americanas "ameaça desacelerar o crescimento mundial, com graves consequências negativas para o mundo e, em particular, para as economias mais vulneráveis".
Segundo as previsões anuais da OMC, o comércio mundial de mercadorias pode sofrer quedas de volume de até 1,5% em 2025.
Símbolo do impacto para o público, a plataforma chinesa de comércio on-line Shein anunciou a seus clientes que aumentará os preços a partir de 25 de abril "por causa das mudanças recentes nas regras de comércio mundial e sobre as tarifas".
- Japão, caso de teste? -
A Coreia do Sul, um dos principais exportadores de semicondutores e automóveis, informou que seu ministro das Finanças, Choi Sang Mok, se reunirá na próxima semana com o secretário do Tesouro Scott Bessent.
Para Stephen Innes, da SPI Asset Management, as conversas com o Japão funcionarão como um "sinal de alerta".
"Se o Japão chegar a um acordo, mesmo que seja mediano, o modelo estará pronto. Se saírem com as mãos vazias, preparem-se. Outras nações começarão a cobrar um preço pelo confronto, não pela cooperação", escreveu ele em um boletim.
Embora seja popular entre os republicanos, a guerra tarifária é politicamente arriscada para Trump no âmbito doméstico.
O governador da Califórnia, o democrata Gavin Newsom, anunciou que entrará com uma nova ação judicial contra a "autoridade de Trump para promulgar tarifas unilateralmente, que criaram caos econômico, fizeram os preços disparar e prejudicaram o estado, as famílias e as empresas".
burs-stu/rsc/dbh/zm/bc/mb/eg/arm/mel/rpr
A.Williams--AT