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Trump diz que ninguém 'está livre' de tarifas, mas mercados operam em alta
Os mercados receberam com satisfação, nesta segunda-feira (14), a suspensão temporária das tarifas americanas sobre os produtos tecnológicos, apesar dos novos ataques do presidente Donald Trump contra a China e de sua declaração de que ninguém ficará livre da guerra comercial, especialmente a China.
As duas maiores economias do planeta travam uma queda de braço desde que Trump lançou um 'tarifaço' global, visando especialmente as importações chinesas.
Washington elevou as tarifas alfandegárias cobradas da China para 145% e Pequim adotou medidas de represália, situando em 125% as taxas cobradas das importações americanas.
Na sexta, o governo americano pareceu reduzir a pressão levemente, com isenções tarifárias para smartphones, notebooks, semicondutores e outros produtos eletrônicos que a China exporta com abundância.
Mas Trump e alguns de seus principais assessores disseram no domingo que as isenções foram mal-interpretadas e serão apenas temporárias.
"NINGUÉM está livre (...) E muito menos a China que, de longe, é a que pior nos trata!", postou em sua plataforma, Truth Social.
O Ministério do Comércio da China avaliou a medida da sexta-feira como "um pequeno passo" e insistiu em que todas as tarifas deveriam ser eliminadas.
Em visita ao Vietnã, no início de um giro pelo sudeste asiático, o presidente chinês, Xi Jinping, alertou que o protecionismo "não leva a lugar nenhum" e que uma guerra comercial "não tem vencedores".
Pequim vem tentando se apresentar como uma alternativa estável a uma Washington errática, cortejando países assustados com a tempestade econômica global.
A guerra comercial de Trump gerou temores de uma nova recessão econômica. O dólar caiu e os investidores venderam títulos americanos, normalmente considerados um refúgio seguro.
Mas os mercados de valores asiáticos e europeus subiram com força nesta segunda, depois de dias de extrema volatilidade desde que Trump apresentou seu 'tarifaço' em 2 de abril, no chamado "Dia da Libertação".
As bolsas de Paris, Frankfurt e Londres operam no azul. Tóquio fechou em alta de 1,2% e Hong Kong, de 2,4%.
Trump impôs uma tarifa alfandegária universal de 10%, mas pausou outras mais altas cobradas de dezenas de parceiros comerciais por 90 dias, enquanto mantém a pressão sobre a China.
- Curta duração? -
Os anúncios de Washington beneficiaram empresas de tecnologia americanas como Nvidia e Dell, assim como a Apple, fabricante de iPhones e outros produtos sofisticados na China.
O alívio, no entanto, pode ser de curta duração, porque alguns produtos eletrônicos de consumo isentos serão submetidos a tarifas específicas em breve sobre bens considerados cruciais para as redes de defesa nacional dos Estados Unidos.
A bordo do Air Force One, Trump disse que "as tarifas serão implementadas em um futuro próximo", com uma referência particular aos semicondutores, que são parte essencial de produtos como veículos elétricos, iPhones ou sistemas de mísseis.
Questionado sobre qual seria o valor da tarifa, ele respondeu: "Vou anunciar durante a semana".
"Queremos fabricar nossos chips e semicondutores, assim como outras coisas em nosso país", reiterou Trump ao acrescentar que faria o mesmo com "medicamentos e produtos farmacêuticos".
- "Sem descanso" -
A Casa Branca afirma que o empresário republicano permanece otimista sobre a possibilidade de alcançar um acordo com a potência asiática.
No entanto, o representante do Comércio de Trump, Jamieson Greer, declarou no domingo ao programa "Face the Nation", do canal CBS, que Washington "não tem nenhum plano" sobre conversas entre o presidente americano e seu homólogo chinês.
Segundo o governo Trump, dezenas de países abriram negociações comerciais pra alcançar acordos antes que termine a pausa de 90 dias.
"Estamos trabalhando sem descanso, dia e noite", disse Greer à CBS.
O ministro japonês de Revitalização Econômica, Ryosei Akazawa, visitará Washington esta semana com os fabricantes de veículos de seu país, afetados pelas tarifas de 25% impostas por Trump ao setor automotivo.
A.Anderson--AT