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Inflação dos EUA caiu para 2,4% em março
A inflação dos Estados Unidos foi de 2,4% em termos anuais em março, uma queda maior do que a esperada pelos analistas, sobretudo devido à redução nos preços do petróleo, informou o Departamento de Trabalho nesta quinta-feira (10).
Em fevereiro, o índice de preços ao consumidor (IPC) foi de 2,8%.
Os dados foram divulgados em meio à guerra tarifária desencadeada pelo presidente Donald Trump, que provocou alarme nos mercados, embora na quarta-feira o republicano tenha mudado abruptamente de rumo em relação a todos os países, exceto a China, e determinado uma pausa na aplicação de impostos por 90 dias.
O índice divulgado nesta quinta-feira, portanto, corresponde aos dias anteriores aos movimentos dramáticos do mercado que acompanharam estas tarifas.
Na comparação mês a mês, a inflação diminuiu 0,1% em fevereiro, auxiliada pela redução de 6,3% nos preços do petróleo, que contribuiu para uma contração de 2,4% no índice de energia. O número correspondente ao dos alimentos teve um aumento de 0,4% em março.
- "Boa notícia para o Fed" -
Estes dados provavelmente serão bem recebidos pelo governo de Trump, pressionado para explicar como os consumidores poderiam se beneficiar de seus planos tarifários, que muitos economistas e funcionários do Federal Reserve (Fed, banco central) estimam que pressionarão a inflação e levarão a uma desaceleração do crescimento.
No entanto, como os número mostram apenas o período anterior à imposição de tarifas, não refletem os efeitos imediatos ou a longo prazo destas taxas.
Desde quarta-feira, as tarifas permanecem em uma base de 10% para todos os países, com exceção da China, sobre a qual ultrapassa os 100%. Também há taxações adicionais sobre produtos específicos.
"Que diferença faz 24 horas. Não apenas a ameaça imediata das tarifas foi postergada por três meses, mas a ameaça iminente da inflação foi evitada por enquanto", escreveu Chris Zaccarelli, diretor de investimentos da Northlight Asset Management, em uma nota aos clientes.
Ele acrescentou que os dados são "uma boa notícia para o Federal Reserve, que preferiria cortar as taxas de juros se houvesse danos significativos à economia devido ao aumento das tarifas, mas que, de outra forma, relutaria em cortar as taxas (de juros) diante de uma ameaça inflacionária".
A inflação subjacente, que exclui os preços voláteis como alimentos e energia, avançou mais 0,1% em março em relação ao mês anterior, e 2,8% em 12 meses.
Esta foi "a menor alta anual desde março de 2021", destacou o Departamento de Trabalho. Também esteve abaixo das estimativas prévias dos economistas consultados pelo Dow Jones Newswires e o The Wall Street Journal.
O Fed tenta combater uma inflação que permanece acima de sua meta anual de 2%, de acordo com seu indicador preferido sobre o aumento de preços, o PCE.
Simultaneamente, o índice de desemprego continua perto de mínimos históricos, deixando o banco central americano sem urgência em reduzir as taxas de juros até que as pressões sobre os preços se moderem ainda mais. Isso a menos que as tarifas de Trump causem uma forte contração no crescimento, o que provavelmente afetaria o emprego.
Atualmente, os mercados financeiros consideram que há cerca de 80% de chance de o Fed não tomar nenhuma medida em sua próxima reunião sobre a taxa de juros em maio, segundo dados da empresa especializada CME Group.
L.Adams--AT