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UE promete responder às tarifas dos EUA, mas deixa mão estendida para negociar
A União Europeia alertou, nesta quinta-feira (3), que está preparada para responder às tarifas generalizadas anunciadas pelos Estados Unidos, mas estendeu a mão para negociar uma solução.
"As tarifas universais anunciadas pelo presidente [Donald] Trump são um golpe severo para a economia global. Lamento profundamente essa escolha", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Uzbequistão.
No entanto, garantiu que o bloco europeu está "preparado para responder".
"Estamos nos preparando para novas contramedidas para proteger os nossos interesses e os nossos negócios se as negociações falharem", afirmou.
Trump assinou um decreto na quarta-feira para introduzir uma tarifa mínima de 10% sobre todas as importações que entram no país e 20% sobre os produtos procedentes da UE.
A ofensiva protecionista, sem precedentes desde a década de 1930, é, segundo o presidente republicano, uma "declaração de independência econômica" para promover uma "era de ouro" nos Estados Unidos.
Para a presidente da Comissão, essas medidas levarão ao "caos".
"Não há um caminho claro para superar a complexidade e o caos que estão sendo criados, já que todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos são afetados", disse ela.
No entanto, acrescentou, "há um caminho alternativo. Não é tarde demais para abordar as nossas preocupações por meio de negociações".
A UE está comprometida em reduzir as barreiras ao comércio, "não em criá-las", disse, pedindo "que passemos do confronto para a negociação".
- Negociar uma saída -
Na Alemanha, o vice-chanceler federal, Robert Habeck, apoiou a UE em sua busca por uma solução negociada com Washington.
Se esses esforços falharem, acrescentou, o bloco europeu oferecerá uma resposta "equilibrada, clara e determinada. Estamos preparados".
Em sua reação, Von der Leyen alertou que com as tarifas anunciadas por Trump, "a economia global sofrerá enormemente".
"A incerteza crescerá e desencadeará uma onda de protecionismo. As consequências serão terríveis para milhões de pessoas ao redor do mundo", lamentou.
Em uma mensagem aos cidadãos europeus, Von der Leyen lamentou que "muitos de vocês se sintam decepcionados com o nosso aliado mais antigo".
O mercado único europeu, acrescentou, é o "nosso porto seguro em tempos tumultuados. E a Europa estará ao lado daqueles diretamente afetados".
Em uma demonstração da gravidade da situação, Von der Leyen leu a mesma declaração em três idiomas: inglês, francês e alemão.
Na rede X, o presidente do Conselho Europeu (órgão que representa os países do bloco), António Costa, destacou que, diante dessa realidade, o bloco deve contar com outros aliados comerciais.
"Agora é o momento de ratificar os acordos com o Mercosul e o México e avançar decisivamente nas negociações com a Índia e outros parceiros importantes", observou.
Enquanto isso, o presidente da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu, Bernd Lange, chamou as medidas anunciadas por Trump de "injustificadas, ilegais e desproporcionais".
O líder do Partido Popular Europeu (PPE, direita), o alemão Manfred Weber, disse que a UE continua aberta a negociações "justas e firmes".
"As tarifas de Donald Trump não defendem o comércio justo; elas o atacam por medo e prejudicam ambos os lados do Atlântico. A Europa está unida, pronta para defender seus interesses e aberta a negociações justas e firmes", disse na rede X.
Em Paris, o porta-voz do governo revelou que a UE poderia aplicar impostos sobre os serviços digitais, uma medida que impactaria diretamente as gigantes americanas do setor.
A.Taylor--AT