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Trump quer enviar imigrantes em situação irregular para Guantánamo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (29) que quer que a prisão militar de Guantánamo, normalmente reservada para acusados de terrorismo, esteja preparada para receber até 30 mil imigrantes em situação irregular.
"Vou assinar hoje um decreto ordenando os Departamentos de Defesa e Segurança Interna para que comecem a preparar as instalações para 30 mil imigrantes na baía de Guantánamo", afirmou. Trump acrescentou que seriam "criminosos" em situação irregular.
Alguns desses imigrantes "são tão maus que nem confiamos nos países para mantê-los presos, porque não queremos que eles voltem", disse Trump. A medida "duplicaria nossa capacidade de imediato" para reter os imigrantes, acrescentou Trump, que descreveu Guantánamo como um "lugar de onde é difícil sair".
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, criticou o projeto de Trump: "Em um ato de brutalidade, o novo governo dos Estados Unidos anuncia a prisão de milhares de imigrantes que expulsa à força na Base Naval de Guantánamo, localizada em território cubano ocupado ilegalmente", publicou no X, ressaltando que eles seriam instalados "junto aos conhecidos cárceres de tortura e prisão ilegal".
O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez, acrescentou que a decisão "mostra desprezo pela condição humana e pelo Direito Internacional".
Durante a campanha presidencial, Donald Trump denunciou "uma invasão" de imigrantes, os quais acusa de "envenenar o sangue" dos Estados Unidos e provocar uma onda de criminalidade, o que não é comprovado por nenhuma estatística oficial.
A prisão da baía de Guantánamo foi inaugurada em 2002, dentro de uma base militar americana em Cuba, como parte da "guerra contra o terrorismo" declarada pelo ex-presidente George W. Bush após os atentados de 11 de setembro de 2001.
Centenas de prisioneiros passaram por ali, incluídos alguns integrantes da Al Qaeda. É polêmica por suas condições extremas de detenção e pelo uso de tortura.
Em setembro do ano passado, o New York Times obteve documentos oficiais que mostram que a base militar de Guantánamo também foi utilizada por décadas como cárcere para alguns migrantes interceptados no mar.
Segundo a publicação, os migrantes e os presos acusados de terrorismo ficam em áreas distintas do centro penitenciário.
Algumas associações denunciam o tratamento que eles recebem, com base em depoimentos que garantem que os migrantes são vigiados quando telefonam para um advogado, são obrigados a colocar óculos escuros durante o transporte e que as instalações estão cheias de ratos devido às condições deploráveis de higiene.
M.White--AT