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'Não há dinheiro': pessimismo nas ruas de Pequim devido à desaceleração econômica
Os consumidores chineses estão economizando, as empresas do país viram o número de clientes diminuir e um clima de pessimismo em relação à desaceleração econômica, confirmada com o anúncio de um dos crescimentos mais baixos em décadas, reina no gigante asiático.
Os dados divulgados por Pequim nesta sexta-feira (17) mostram que a economia cresceu 5% em 2024, alcançando a meta do governo, amplamente comemorada pelas autoridades, mas que marca seu nível mais baixo desde 1990, sem considerar os anos da pandemia de covid-19.
Embora as autoridades tenham reconhecido que a economia ainda está vulnerável aos "riscos e desafios ocultos", insistiram que houve uma "recuperação notável" e que avanços estão sendo feitos para reverter seu declínio.
Nesta sexta-feira, no entanto, havia poucas demonstrações desse otimismo nas gélidas ruas de Pequim.
"A economia claramente foi ladeira abaixo", disse à AFP Yang Aihua, uma vendedora de chá de 35 anos da província central de Hubei.
"Há medo de consumir e gastar porque não há dinheiro", afirmou.
Yang contou que percebeu uma queda clara no movimento de sua loja e que os clientes estão gastando menos.
"Para nós que fazemos negócios, é óbvio que há muito menos clientes que vêm à nossa loja, e os níveis de consumo dos clientes não se comparam com os de antes", disse Yang.
- Medo de gastar mais -
Guo Jian, um trabalhador da indústria petroquímica, concorda ao perceber uma diminuição clara do otimismo do consumidor após a pandemia.
"Os níveis de consumo estão mais baixos do que antes", disse à AFP este homem de 54 anos, natural da província nortista de Shaanxi.
Agora, como resultado desse pessimismo, as pessoas estão fazendo "cortes em compras maiores e em compras adicionais", disse Guo.
O baixo consumo é um tormento persistente para a economia da China enquanto as autoridades lutam para recuperar o impulso.
Na tentativa de estimular o gasto dos consumidores, Pequim ampliou na semana passada um programa de subsídios para itens domésticos comuns, desde purificadores de água e refrigeradores até laptops e veículos elétricos.
Mas, apesar de medidas como essa, a vendedora de chá Yang disse que ainda tem medo de gastar demais.
"Tenho medo de gastar dinheiro sem pensar", afirmou.
"Antes, eu poderia estar disposta a gastar dinheiro em carteiras. Mas agora sinto claramente que ganho menos, então também não posso gastar tanto quanto costumava."
Outro transeunte nas ruas de Pequim disse que seus baixos salários eram a causa da queda no consumo.
"Porque somos trabalhadores, ganhamos o nível mais baixo e básico de renda", disse à AFP a faxineira Li Chunyu. Por isso, "não pensamos em consumir tanto", disse ela, sem se preocupar muito com seu nível de gastos.
- Desânimo -
Li, que disse ter vivido em Pequim por 10 anos, acredita que ainda existem muitas mais oportunidades na movimentada capital da China do que em sua cidade natal, na província vizinha de Hebei.
"Se fosse tão difícil, ou se eu não pudesse mais suportar, eu não teria ficado tanto tempo, certo?"
O crescimento de 5% da economia chinesa em 2024 pode ser a inveja de muitas economias ocidentais que encolheram ou se encontram estagnadas com uma expansão abaixo de 1%.
Mas a China está muito longe do crescimento de dois dígitos que impulsionou sua rápida ascensão a uma superpotência econômica mundial.
As autoridades prometeram nesta sexta que a economia vai se recuperar em 2025, embora os analistas projetem que o crescimento deste ano possa ser ainda menor.
Yang concorda que o desânimo persiste na China. "O que o povo comum sente é que não tem dinheiro."
E.Flores--AT