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Cruz Vermelha: encontrar desaparecidos na Síria será 'desafio enorme'
Descobrir o paradeiro das pessoas que desapareceram durante a guerra civil na Síria será um desafio que deve durar anos, disse neste sábado (04) em entrevista à AFP a presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).
“Identificar os desaparecidos e informar as famílias sobre o seu destino será um desafio enorme”, afirmou Mirjana Spoljaric, em Damasco.
Milhares de pessoas foram detidas e desapareceram após a repressão violenta aos protestos contra o governo que sacudiram a Síria em 2011, durante o mandato de Bashar al-Assad. Segundo relatórios, muitas pessoas foram enterradas em valas comuns depois de serem torturadas nas prisões durante a guerra civil, que deixou mais de meio milhão de mortos.
Após a chegada ao poder dos rebeldes islamitas que derrubaram Assad no mês passado, milhares de pessoas foram libertadas, mas muitos sírios continuam buscando parentes desaparecidos.
Mirjana informou que o CICV trabalha com as autoridades interinas, ONGs e o Crescente Vermelho sírio para coletar dados que permitam dar respostas às famílias o quanto antes. Mas "a tarefa é enorme”, ressaltou.
“Serão necessários anos para esclarecer a situação e poder informar todas as pessoas envolvidas. E haverá casos que nunca poderemos identificar”, acrescentou Mirjana, que dirige o CICV desde 2022.
A presidente informou que o Comitê ofereceu sua colaboração às novas autoridades, para “construir as instituições necessárias e a capacidade institucional para gerenciar os dados disponíveis e proteger e coletar o que deve ser coletado".
A ONG Human Rights Watch pediu às novas autoridades sírias "assegurar, colher e proteger provas, principalmente a localização de valas comuns e registros governamentais, que serão vitais em futuros processos penais".
"Não podemos excluir a possibilidade de perda de informação, mas devemos trabalhar rapidamente para preservar os dados que existem e centralizar o seu armazenamento, para que se possa fazer o acompanhamento dos casos individuais", ressaltou Mirjana.
Segundo a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos, especializada no conflito, mais de 100 mil pessoas morreram em centros de detenção desde o início da guerra civil síria, em 2011, devido à tortura ou a condições de saúde deploráveis.
M.White--AT