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Mulheres israelenses correm para comprar armas depois de 7 de outubro
Um sentimento de insegurança, o marido no front ou a vontade de se defender em caso de ataque tem levado muitas mulheres israelenses a se armar desde 7 de outubro de 2023, uma iniciativa favorecida pelo governo e criticada por grupos feministas.
Até aquele dia, cerca de 5.000 mulheres israelenses possuíam uma autorização de porte de arma de fogo, segundo os números do Ministério de Segurança Nacional.
Contudo, desde o início da guerra desencadeada após o ataque do movimento islamista palestino Hamas, 42.000 mulheres solicitaram uma licença e 18.000 pedidos foram aceitos, segundo o ministério.
De acordo com essa mesma fonte, mais de 15.000 civis possuem uma arma de fogo atualmente e 10.000 estão realizando o treinamento requerido.
"Nunca tinha pensado em comprar uma arma e obter uma licença, mas, desde 7 de outubro, as coisas mudaram um pouco", conta Limor Gonen, professora de Ciência Política, durante uma aula de tiro na colônia israelense de Ariel, no norte da Cisjordânia ocupada.
O ataque do Hamas naquele dia no sul de Israel deixou 1.194 mortos, a maioria civis, segundo um balanço da AFP a partir de dados oficiais israelenses.
Em resposta, Israel lançou uma ofensiva militar na Faixa de Gaza, governada pelo Hamas, na qual morreram até agora mais de 37.500 pessoas, sobretudo civis, segundo as últimas cifras do Ministério da Saúde do território palestino.
- 'Estratégia dos colonos' -
Naquele dia, "todos estávamos na mira e não quero que voltem a me pegar desprevenida, por isso tento me defender", explica Gonen, após uma aula sobre armas, uma etapa obrigatória para obter a licença.
Os critérios necessários para se obter uma licença fazem com que seja praticamente impossível consegui-la para os que não são judeus.
Desde que assumiu o Ministério de Segurança Nacional, no fim de 2022, Itamar Ben Gvir quis reformar o serviço de armas de fogo e ampliar para o maior número possível a obtenção de permissão de posse de armas.
Em março, o líder do partido de extrema direita gabou-se de ter superado o número de 100.000 civis que possuem uma arma. Ele mesmo costuma exibir sua pistola em seus deslocamentos.
A ONG Gun Free Kitchen Tables (Mesas de Cozinha Sem Armas, em tradução livre do inglês), fundada em 2010 em Israel por ativistas feministas, é contrária a esta corrida pelas armas entre as mulheres.
É "uma estratégia dos colonos de extrema direita considerar o armamento das mulheres como um ato feminista", critica uma porta-voz da organização.
"O aumento de armas no entorno civil leva a um aumento da violência e dos assassinatos contra as mulheres", alerta.
"Já passou da hora de o Estado entender que a segurança das pessoas é sua responsabilidade", acrescenta.
- 'Mais segura' -
Desde que Yahel Reznik, de 24 anos, adquiriu uma arma, ela diz sentir-se "muito mais segura".
Em caso de ataque, "graças ao meu treinamento, tenho a possibilidade de defender e proteger os outros", garante essa mulher, gestora de comunidades virtuais, de Ariel, situada três quilômetros ao norte da cidade palestina de Salfit.
Desde 7 de outubro, 549 palestinos morreram na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967, pelas mãos de soldados ou colonos israelenses, segundo a Autoridade Palestina. Do outro lado, 14 israelenses morreram em ataques ou atentados palestinos, segundo dados oficiais israelenses.
Nas ruas de Netanya, ao norte de Tel Aviv, Corine Nissim nunca sai sem sua pistola.
"Depois de 7 de outubro, penso que, como a maior parte das pessoas em Israel, me dei conta de que a única pessoa em que podia confiar era em mim mesma", diz esta professora de inglês.
D.Johnson--AT