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Copom prepara novo corte da Selic
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB) prepara um novo corte de 0,5 ponto percentual da Selic, sua taxa básica de juros, com base no processo de "desinflação" da economia, segundo as previsões para sua primeira reunião do ano, iniciada nesta terça-feira (30).
O Copom divulgará sua decisão na quarta, ao final do encontro, no qual espera adotar o quinto corte consecutivo da Selic desde agosto do ano passado, diante de uma inflação que está cedendo.
Na época, a taxa básica de juros estava no nível máximo de 13,75%, e vem caindo ao ritmo constante de 0,5 ponto percentual por reunião, até se situar nos atuais 11,75% em dezembro.
No final do ano passado, a autoridade monetária havia antecipado "uma redução da mesma magnitude" nas reuniões seguintes, "o ritmo apropriado" de cortes.
Em consonância, o mercado antecipou uma redução da Selic para 11,25%, segundo 142 consultorias e instituições financeiras consultadas pelo jornal econômico Valor.
- Decisões e expectativas -
A inflação no Brasil encerrou 2023 em 4,62%, segundo dados do IBGE.
O índice ficou dentro da meta do Banco Central - que em 2023 trabalhava com o teto de 4,75% - após dois anos consecutivos acima desta marca.
O Copom elevou sua taxa básica de juros de março de 2020 a meados do ano passado, o que encareceu o crédito, desaqueceu o consumo e os investimentos, atenuando, assim, as pressões sobre os preços.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem pressionando pela redução dos juros desde que voltou ao poder, há um ano.
Ele espera que o custo menor do dinheiro, juntamente com outras políticas, impulsione o crescimento econômico em 2024.
Nesta terça, o FMI melhorou seu prognóstico para a economia brasileira em 2024, e prevê uma expansão do PIB de 1,7%. Para 2025, a expectativa do Fundo para o país, a maior economia da América Latina, é de um crescimento de 1,9%.
O Copom, no entanto, tem se mantido cauteloso e aponta que o contexto ainda demanda uma "política contracionista" ou de ajuste monetário, e "moderação", destacou em dezembro.
Segundo o boletim Focus do Banco Central, o mercado espera para este ano uma inflação de 3,86%.
O dado está acima da meta oficial para este ano, de 3%, mas dentro do intervalo da meta (3% +/- 1,5 ponto percentual).
- Risco fiscal -
O Bank of America prevê para esta quarta-feira uma redução da Selic de 0,50 ponto percentual, um passo "confortável" para o BCB em um contexto de "incerteza nas contas fiscais e no ambiente externo", apontou em um relatório.
Muitos especialistas estão preocupados com a política fiscal do governo Lula e temem um aumento dos gastos prejudicial para a estabilidade econômica.
Embora o governo tenha se comprometido a cumprir as metas fiscais, o próprio Lula semeou dúvidas sobre a possibilidade de alcançar o déficit zero em 2024.
A equipe econômica do banco digital C6, prevê, por sua vez, que o BCB irá manter os cortes de 0,5 ponto no primeiro semestre, sem acelerar o passo.
Na frente externa, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) também vai decidir na quarta-feira sobre suas taxas básicas de juros, com a dúvida de quando iniciará os cortes em um momento em que a inflação nos Estados Unidos parece estar bem encaminhada.
B.Torres--AT