-
Entre a nostalgia e o desinteresse, Itália vive mais uma Copa sem a 'Azzurra'
-
Tenistas vão intensificar protesto por premiação em Wimbledon
-
'Eles vêm com tudo', diz Laporte sobre duelo da Espanha contra o Uruguai
-
Onda de calor sufoca Europa e testa redes elétricas
-
Candidatos do prefeito de Nova York vencem primárias democratas
-
Bósnia garante terceiro lugar do Grupo B na Copa do Mundo e elimina o Catar
-
Suíça vence Canadá (2-1) e avança como líder do Grupo B da Copa
-
Cacique Raoni se recupera após cirurgia no intestino
-
Pai, mãe e Flávio Bolsonaro desejam sorte a Neymar em sua estreia na Copa
-
Keiko Fujimori agradece apoio de eleitores e admite divisão no Peru
-
Adversário reconhece De la Espriella como presidente eleito da Colômbia
-
Novo formato ressuscita fantasma da manipulação de resultados na Copa
-
Juan Manuel Cerúndolo avança para as quartas de final em Eastbourne
-
Surto de hantavírus deve ser encerrado oficialmente em 2 de julho (OMS)
-
França detecta primeiro caso de ebola fora da África durante surto atual
-
Sem Almirón, Paraguai enfrenta Austrália por sobrevivência na Copa
-
Trump se recusa a promulgar lei de habitação até Congresso aprovar reforma eleitoral
-
Democrata acusa Trump de bloquear ponte entre EUA e Canadá para ajudar doador
-
França detecta caso de ebola em médico que chegou da RDC
-
Andreeva e Swiatek são eliminadas na estreia em Bad Homburg
-
Rubio promete defender interesses dos países do Golfo nas negociações com Irã
-
A briga acirrada pela Chuteira de Ouro da Copa do Mundo 2026
-
Descoberta aproxima cientistas da misteriosa fronteira dos buracos negros
-
Alemanha, a difícil adversária do Equador na Copa do Mundo
-
Ativistas de flotilha para Gaza denunciam suposto abuso 'cruel' e 'sádico'
-
Messi completa 39 anos no topo do mundo
-
Candidato de esquerda da Colômbia reconhece De la Espriella como presidente eleito
-
FIFPro comemora sentença à Lazio por rescindir contrato de jogadora grávida
-
Irã apresenta acordo para acabar com a guerra como 'declaração de derrota dos EUA'
-
Grand Theft Auto, em números
-
COI escolherá sede dos Jogos Olímpicos de 2036 com novo procedimento
-
Onda de calor sufoca Europa e coloca redes elétricas à prova
-
'Grand Theft Auto VI' abre pré-venda na quinta-feira
-
Irã apresenta acordo para acabar com a guerra como 'declaração de derrota dos Estados Unidos'
-
Anderson adiciona toques de festa à sua coleção para Dior em uma Paris escaldante
-
Sánchez nega 'corrupção generalizada' no governo espanhol
-
China defende regulamentação da IA antes de 'perder o controle'
-
Última rodada da primeira fase da Copa começa e qualquer tropeço pode ter consequências graves
-
Keiko Fujimori, a herdeira com um sobrenome que divide os peruanos
-
Keiko Fujimori alcança vantagem irreversível na eleição peruana
-
Colômbia vence RD Congo (1-0) e avança aos 16-avos de final da Copa do Mundo
-
Economia argentina mantém ritmo de crescimento no 1T
-
Apesar de já classificado em 1º, México não facilitará contra República Tcheca, garante técnico Aguirre
-
Governo da Bolívia está 'forçando uma guerra civil', diz Evo Morales à AFP
-
Ancelotti confirma que Neymar está pronto para estrear contra a Escócia na Copa
-
Enner Valencia é alvo de críticas no Equador às vésperas de jogo decisivo contra Alemanha
-
AJ Dybantsa é selecionado pelos Wizards como 1ª escolha do Draft da NBA
-
Croácia elimina Panamá (1-0) e segue viva na Copa do Mundo
-
Kim diz que vai equipar Marinha norte-coreana com armas nucleares
-
Técnico da República Tcheca faz autocrítica, mas confia em "milagres" contra o México
Dolarizar, o controverso remédio milagroso do candidato Milei para Argentina
Oprimidos pela enésima crise inflacionária, muitos argentinos são tentados a usar a fórmula extrema e inexplorada do candidato presidencial ultraliberal Javier Milei para resolver os seus problemas financeiros: abandonar o peso e adotar o dólar.
Em um país com uma inflação anual superior a 100% que destrói o poder de compra dos salários, o dólar é um refúgio.
É por isso que a mensagem de Milei atingiu o alvo. "Acabar com a inflação é possível, basta tirar a arma monetária dos políticos", disse o mais votado nas primárias de agosto, em alusão ao mecanismo de emissão de moeda para financiar o déficit do Estado, causa fundamental da desvalorização crônica do peso, segundo ele.
Milei também propõe eliminar o Banco Central, que emite moeda, mas também monitora o sistema financeiro.
A sua ideia de abraçar o dólar centraliza o debate rumo às eleições gerais de outubro e é rejeitada pela maioria dos economistas locais, incluindo outros opositores liberais.
"Seria bom dolarizar. Com essa desvalorização, eu vendo metade e só os grandes especuladores ganham", disse à AFP Iván Abl, que vende tecidos em Buenos Aires há 30 anos. Mas também duvida: "Com o dólar, os ‘Yankees’ que administrariam tudo, né?".
- Escassez crônica de dólares -
Na Argentina, uma casa, um carro e até os eletrodomésticos são vendidos em dólares.
Após dois episódios de hiperinflação em 1989 e 1990, o país aplicou um mecanismo de "conversibilidade" que estabeleceu uma paridade de 1-1 entre o peso e o dólar, apoiado por privatizações e por uma abertura total da economia.
A inflação anual caiu para um dígito, mas o aumento das importações aumentou a dívida em moeda estrangeira, arruinou a indústria e causou uma grave recessão. A "conversibilidade" terminou tragicamente em 2001, com um protesto social massivo cuja repressão deixou cerca de 40 mortos. Depois, o país declarou-se inadimplente.
"A economia bimonetária une todas as crises: a escassez de dólares, a corrida cambial, as desvalorizações e as inflações. Estão todas unidas histórica e histericamente", definiu a então presidente peronista Cristina Kirchner, em 2017.
- "Só 10 bilhões de dólares" -
"A dolarização nunca foi tão barata, custa só 10 bilhões de dólares (49,2 bilhões de reais na cotação atual)", afirma Milei, que argumenta que este mecanismo – também aplicado por Equador e El Salvador – levará tempo para ser implementado.
O economista de 52 anos, que se apresenta como um especialista em teoria monetária, percorre os veículos da imprensa explicando o seu projeto de salvação econômica. Retirar o peso de circulação utilizando ativos do banco central e substituí-lo pelo dólar é o primeiro passo.
"De onde vão tirar os dólares para dolarizar?", pergunta o seu rival pró-governo e ministro da Economia, Sergio Massa, em um contexto de erosão permanente das reservas internacionais da Argentina.
O banco central (BCRA) dispõe de instrumentos suficientes para fazer a transição, argumenta Milei.
O economista independente Juan Manuel Telechea disse à AFP que a troca de pesos, em 2022, exigiu cerca de 55,3 bilhões de dólares (288 bilhões de reais na cotação da época).
"Não bastaria substituir apenas a base monetária (ndr, o dinheiro circulante), mas existe um estoque de pesos que, embora não estejam em circulação, servem de apoio aos depósitos bancários em moeda nacional" e que são mantidos em instrumentos da dívida do BCRA, explica o Centro de Economia Política Argentina (CEPA) em um site que levanta questões sobre a viabilidade da dolarização.
Os apoiadores de Milei retrucam.
"Se vamos dolarizar ou não é uma discussão irrelevante porque já foi dolarizado", argumenta à rádio CNN Emilio Ocampo, economista que inspirou Milei para sua proposta e hoje é assessor do candidato, referindo-se à predileção dos argentinos pelo dólar.
O próprio banco central estima em 244 bilhões de dólares (1,2 trilhão de reais na cotação atual) o volume da moeda americana que os argentinos acumulam fora do circuito local.
"É impraticável", disse à AFP Nicolás Ferreyra, funcionário de uma rede de eletrodomésticos. "Fizemos as contas com os vendedores e eles nos disseram que vamos ganhar 20 ou 30 dólares por mês", cerca de 98 a 147 reais.
Ao substituir o peso pelo dólar a um preço de mercado, superior ao do dólar oficial controlado pelo governo, a proposta de Milei implicaria, por matemática simples, na redução do salário medido em moeda estrangeira. A divisão poderia ser de quase um décimo, alerta o CEPA.
- Questão de confiança -
O economista argentino Ivan Werning, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), coautor do estudo "Crônica de uma dolarização anunciada", argumentou acidamente que "dolarizar com escassez de dólares é uma droga".
Em vez disso, argumenta Werning, "o país deve resolver principalmente o seu problema fiscal crônico e não perder a capacidade de ter uma moeda que lhe permita reagir a um choque externo".
"Dolarizar é uma loucura. Há outras soluções", insiste Nicolás Ferreyra na loja de eletrodomésticos. "Mas para que nós, os argentinos, possamos confiar novamente no peso... medidas devem ser tomadas".
R.Chavez--AT