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Netflix busca sucessor para seu sucesso espanhol 'La Casa de Papel'
Nas fachadas de seus grandes estúdios perto de Madri, a Netflix exibe os cartazes de seus grandes sucessos espanhóis, e é lá que a empresa, combinando técnicas tradicionais com novas tecnologias, tenta repetir o triunfo mundial de "La Casa de Papel".
O cenário da Fábrica Nacional de Moeda de Madri, assaltada por engenhosos criminosos na série exibida pela primeira vez em 2017, deu lugar desta vez a um gigantesco bunker.
Salas de ginástica, jardim zen e restaurante sofisticado sucedem-se nesta fortificação subterrânea amarela e azul, no coração da nova superprodução espanhola da plataforma, "O Refúgio Atômico", que estreia nesta sexta-feira (19).
No centro deste novo projeto está a dupla formada por Álex Pina e Esther Martínez Lobato, produtores e roteiristas que já estavam por trás de "La Casa de Papel" (um projeto inicialmente produzido pela emissora Antena 3 com um orçamento limitado antes de ser comprado no final de 2017 pela Netflix), "Sky Rojo" ou, mais recentemente, "Berlim", um spin-off de um dos personagens de "La Casa de Papel".
Todas essas produções tornaram-se símbolos da internacionalização dos conteúdos, cujo sucesso se deve, segundo Álex Pina, às suas particularidades e raízes geográficas. "Sempre fico surpreso" com o fato de que "uma história local exótica pode ser, ao mesmo tempo, universal", explica ele à AFP.
Não foi necessário "mudar nada em termos de caráter, narrativa ou DNA" das séries para mercados estrangeiros, acrescentou. "Não me lembro de nenhuma conversa com a Netflix" sobre isso, afirmou Pina.
O gigante americano do streaming, que chegou à Espanha em 2015, inaugurou seus primeiros estúdios fora dos Estados Unidos em abril de 2019, nos arredores ao norte de Madri. No total, a plataforma online produziu cerca de 1.000 filmes e séries em cidades espanholas desde 2017.
E em Tres Cantos, nesses estúdios de cerca de 22.000 m² que constituem um dos principais centros de criação audiovisual da Netflix na Europa, o grupo também apostou em tecnologias de ponta para tentar repetir o triunfo de seu primeiro sucesso mundial em um idioma diferente do inglês.
Em um grande hangar, junto com alguns elementos de cenário físico, uma enorme tela cobre um set digital de 30 metros de comprimento e 6 de altura. Nela, sucedem-se imagens, estáticas ou animadas, de estradas rurais, um mar de nuvens ou um horizonte de arranha-céus.
"Esse tipo de tecnologia nos permite reduzir a distância entre o cinema espanhol ou europeu e outros cinemas, como o americano", elogia Migue Amoedo, diretor artístico visual de "O Refúgio Atômico", no qual "aproximadamente 80%" foi filmado em cenários internos.
"Aqui temos um pouco de tudo para filmar, produzir e testamos muitas tecnologias pela primeira vez", acrescenta o responsável pela produção do centro madrilenho, Víctor Martí, que também celebra ver uma "narrativa local" oferecida a um "público mundial".
Th.Gonzalez--AT