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Um Frankenstein 'emotivo' chega a Veneza sob a direção de Guillermo del Toro
Após a passagem pelo tapete vermelho de Veneza de diretores como Yorgos Lanthimos e Noah Baumbach, neste sábado (30) foi a vez de outro grande cineasta, o mexicano Guillermo del Toro, que apresenta sua adaptação de Frankenstein.
Del Toro exibe em Veneza uma cara adaptação da história de Mary Shelley, publicada em 1818, sobre Victor Frankenstein, um cientista egocêntrico que dá vida a uma criatura que acabará o levando à ruína.
"Buscando a vida, criei a morte", afirma em um momento Viktor Frankenstein (Oscar Isaac), responsável por uma criatura que, em muitos aspectos, desperta ternura.
Com uma estética gótica refinada, Del Toro leva para o cinema uma história que fala de violência, autoconhecimento e identidade com um personagem cativante, interpretado por Jacob Elordi.
Durante a entrevista coletiva, Del Toro, vencedor do Oscar e do Leão de Ouro por "A Forma da Água", admitiu que, para ele, Frankenstein "é uma religião desde que era criança".
"Fui criado (com a religião) católica (mas) nunca entendi completamente os santos. E depois, quando vi Boris Karloff (o ator que interpreta o monstro Frankenstein no filme de James Whale de 1931) na tela, entendi como se parecia um santo ou um messias. Então, tenho acompanhado a criatura desde que era criança", disse.
O filme, com distribuição da Netflix, "tenta mostrar personagens imperfeitos e o direito que temos de continuar sendo imperfeitos. E o direito que temos de compreendenr uns aos outros nas circunstâncias mais opressivas", acrescentou o mexicano.
Mas, ao ser questionado se a Inteligência Artificial poderia constituir um monstro de Frankenstein atual, o mexicano foi categórico: "A Inteligência Artificial não me assusta. Tenho medo da estupidez natural, que é muito mais abundante".
- Gaza -
Durante a tarde, milhares de pessoas protestaram nas imediações do festival para denunciar a ofensiva do Exército israelense na Faixa de Gaza.
Vários artistas expressaram apoio aos palestinos nos últimos dias na Mostra, como a diretora marroquina Maryam Touzani e seu marido, o cineasta Nabil Ayouch, que exibiram um cartaz com a frase "Stop the genocide in Gaza" ("Parem o genocídio em Gaza") na sexta-feira à noite no tapete vermelho.
No início do festival, um coletivo fundado por 10 cineastas italianos independentes, chamado 'Venice4Palestine' (V4P), fez um apelo por condenação à guerra na Faixa de Gaza, desencadeada pelo ataque do movimento islamista palestino Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023.
Em uma carta aberta, o coletivo pediu que o festival não vire "uma tribuna triste e vazia" e "adote uma posição clara e sem ambiguidades".
O V4P afirma que sua carta reuniu 2.000 assinaturas, incluindo nomes de destaque do cinema internacional, como Guillermo del Toro, Todd Fields, Michael Moore e Ken Loach.
"O objetivo da carta era colocar Gaza e a Palestina no centro da atenção pública em Veneza e foi isso que aconteceu", declarou à AFP Fabiomassimo Lozzi, um dos fundadores do coletivo.
O diretor artístico da Mostra, Alberto Barbera, afirmou na quarta-feira que o evento é "um lugar de abertura e de debate".
"Nunca hesitamos em declarar claramente nosso enorme sofrimento diante do que está acontecendo na Palestina (...) com a morte de civis e, sobretudo, de crianças", insistiu.
P.Smith--AT