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Milhares de pessoas marcham em Minneapolis contra operações anti-imigração nos EUA
Milhares de pessoas saíram em passeata nesta sexta-feira (30) em Minneapolis, para protestar contra as operações da polícia migratória americana, após semanas de tensão, que resultaram na morte a tiros de dois ativistas.
O dia de ação, batizado de "apagão nacional", foi convocado por organizações de defesa dos imigrantes, após a comoção causada pela morte de Renee Good e Alex Pretti. Entre os participantes estava o astro do rock Bruce Springsteen, que cantou uma música em memória dos ativistas assassinados.
O protesto foi apoiado pelos democratas, que controlam o estado de Minnesota e Minneapolis, cidade-santuário que se nega a cooperar com as agências que lutam contra a imigração ilegal.
A política de operações e deportações é um dos principais pontos da agenda do presidente republicano Donald Trump.
- Acusações contra jornalista -
Trump anunciou nesta semana uma "desescalada" das operações, após a comoção causada por essas duas mortes, investigadas pelo governo federal. Ele tirou de Minneapolis o comandante da Patrulha Fronteiriça, que liderava as operações, e enviou em seu lugar Tom Homan, seu czar da fronteira.
Após a divulgação de um novo vídeo de protestos de Alex Pretti, no entanto, Trump voltou a adotar uma postura firme. A procuradora-geral do país, Pam Bondi, criticada por se referir inicialmente aos dois ativistas como "terroristas", anunciou acusações contra o jornalista Don Lemon, ex-apresentador da rede de TV CNN, que invadiu há duas semanas, com outros repórteres e ativistas, uma igreja de Saint Paul, cidade vizinha a Minneapolis.
Transmitido ao vivo por Lemon, o protesto ocorreu porque os ativistas acusavam o pastor de trabalhar para o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). O advogado de Lemon confirmou que ele foi preso em Los Angeles e acrescentou que seu trabalho na cobertura do protesto "não foi diferente do que sempre fez".
Segundo depoimentos colhidos na investigação inicial, Lemon teria entrado com os manifestantes e interrogado ao vivo fiéis, assustados com a invasão. O jornalista é acusado de conspiração para privar de direitos e de interferir nos direitos da Primeira Emenda [que protege a liberdade de expressão, incluindo a religião], informou à AFP um porta-voz do Departamento de Segurança Interna.
O Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) condenou o que chamou de "ataque flagrante" à imprensa. O líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, pediu a libertação imediata do jornalista.
- 'Agitador' -
Trump usou a plataforma Truth Social para descrever o enfermeiro Pretti, 37, morto a tiros por agentes migratórios no último dia 25, como "um agitador e, talvez, insurgente".
Imagens compartilhadas on-line nesta semana supostamente mostram Pretti em um confronto com agentes federais 11 dias antes dele ser morto a tiros.
A AFP não conseguiu verificar imediatamente as imagens, que mostram um homem, supostamente Pretti, chutando e quebrando a lanterna traseira do carro dos agentes antes que eles saíssem e o imobilizassem no chão.
Durante o confronto com os agentes, é possível ver o que parece ser uma arma na parte de trás da cintura do manifestante. O vice-procurador-geral, Todd Blanche, disse hoje que o Departamento de Justiça abriu uma investigação em matéria de direitos civis sobre a morte de Pretti.
H.Gonzales--AT