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STF retoma processo sobre Marco Civil da Internet
O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma, nesta quarta-feira (4), o julgamento sobre a regulamentação das redes sociais, em um caso pioneiro na América Latina sobre o papel das plataformas na disseminação de notícias falsas e discursos de ódio.
Após vários meses de pausa, o tribunal volta a analisar diversos casos relacionados às regras para as plataformas e sua responsabilidade pelo conteúdo publicado pelos usuários.
O processo ocorre paralelamente ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus ex-colaboradores por uma suposta tentativa de golpe de Estado em 2022, após a derrota eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo a acusação, os supostos golpistas usaram as redes sociais para disseminar informações falsas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral e justificar suas ações.
O debate sobre as redes sociais no STF deve definir como as plataformas podem ser sancionadas por publicações ilegais dos usuários.
Outra questão fundamental é se as empresas de tecnologia devem monitorar e, eventualmente, remover conteúdos ilegais de forma espontânea, sem a necessidade de intervenção judicial, conforme determina o marco regulatório vigente.
Oito dos onze ministros ainda não votaram sobre a constitucionalidade de um artigo do Marco Civil da Internet, em vigor desde 2014, que estabelece que as plataformas são responsáveis pelos danos causados por publicações de usuários apenas caso se recusem a cumprir uma ordem judicial para remover tais conteúdos.
Os três que já o fizeram decidiram a favor de uma maior responsabilização dessas empresas.
Embora casos pontuais estejam sendo analisados, a decisão do tribunal definirá a jurisprudência que deve ser aplicada de forma geral no país.
O Brasil ganhou destaque global em relação às responsabilidades das plataformas em agosto de 2024, quando o ministro do STF Alexandre de Moraes ordenou o bloqueio do acesso à rede X em todo o país depois que a plataforma se recusou a cumprir ordens judiciais relacionadas ao combate à desinformação.
O proprietário da X, o bilionário Elon Musk, ignorou os pedidos de remoção de contas pertencentes a apoiadores de Bolsonaro em meio a um impasse com Moraes sobre os limites da liberdade de expressão e ameaças à democracia.
Após 40 dias de suspensão, Musk cedeu e a X voltou a funcionar normalmente no Brasil.
O governo americano de Donald Trump atualmente considera possíveis sanções contra Moraes, após o entorno de Bolsonaro acusar o ministro de "perseguir" o ex-presidente (2019-2022).
Na terça-feira, o presidente Lula defendeu "apressar a regulamentação" das plataformas.
"Não é possível que um cara tente dar um golpe de Estado (...) e diga que isso é liberdade de expressão", disse Lula em entrevista coletiva, referindo-se a Bolsonaro.
Ch.Campbell--AT