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Paul Mescal não vê 'paralelos' entre romance gay apresentado em Cannes e 'Brokeback Montain'
O ator irlandês Paul Mescal, em competição em Cannes por "The History of Sound", não vê "nenhum paralelo" entre esse romance gay e "O Segredo de Brokeback Mountain" (2005), cuja história de amor entre dois caubóis na década de 1960 deixou sua marca nos cinéfilos e no Oscar.
"Não vejo nenhum paralelo entre os dois filmes, exceto pelas cenas (de sexo) em uma tenda", brincou ele em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (22), acrescentando que essa pergunta lhe foi feita com frequência desde a exibição do longa-metragem no dia anterior.
"'O Segredo de Brokeback Montain', de Ang Lee, é um belo filme que fala sobre repressão; nosso filme segue a direção oposta", diz o ator irlandês de 29 anos.
"É uma celebração desse relacionamento, não a repressão da sexualidade" de seu personagem, que está tendo um caso com outro homem, interpretado pelo ator britânico Josh O'Connor, com quem ele embarca em uma jornada para gravar canções folclóricas nos Estados Unidos após a Primeira Guerra Mundial.
O paralelo entre os dois filmes "nunca esteve em nossas mentes", concordou o diretor sul-africano Oliver Hermanus.
"A ideia não era lidar com as complicações de sua sexualidade, mas sim com o que separa" os dois personagens em suas respectivas vidas amorosas. "É um filme sobre o amor em um contexto diferente", disse ele.
Para o sul-africano de 41 anos, o fato de "The History of Sound" ser comparado a um longa-metragem lançado vinte anos antes "mostra, acima de tudo, que deveria haver mais filmes sobre relacionamentos queer".
O filme de Ang Lee ganhou três Oscars em 2005: Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora.
Questionado sobre a representação da masculinidade nesse último filme, Paul Mescal acrescentou que, para ele, o cinema em geral "está se afastando do tradicional personagem masculino alfa".
Ator da série "Normal People" (2020), do filme "Aftersun" (2022) e de outro romance queer, "Todos Nós Desconhecidos" (2023), o astro de "Gladiador 2" também observa que essa tendência se reflete em seus papéis.
Mas "não é uma escolha", e sim um "instinto" que "seguirá" até que algo diferente o atraia, diz ele.
A.Williams--AT