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Música na floresta: batuque dos chimpanzés revela origens do ritmo humano
Assim como os humanos, os chimpanzés batucam em ritmos diferentes, e duas subespécies que vivem em extremos opostos da África têm estilos próprios característicos de percussão, revelou um estudo publicado nesta sexta-feira (9) na revista Current Biology.
A ideia de que a percussão dos símios pudesse dar pistas sobre as origens da musicalidade humana fascina os cientistas há tempos, mas compilar dados cofiáveis suficientes em meio à cacofonia da floresta tinha sido difícil até agora.
"Finalmente, conseguimos avaliar que os chimpanzés batucam ritmicamente; não o fazem ao acaso simplesmente", disse à AFP uma das autoras do estudo, Vesta Eleuteri, da Universidade de Viena.
As descobertas reforçam a teoria de que os componentes básicos da música humana já existiam antes da nossa separação evolutiva dos chimpanzés, há seis milhões de anos.
Estudos anteriores haviam demonstrado que os chimpanzés batem nas enormes raízes das árvores da floresta tropical para emitir sons de baixa frequência através da folhagem densa. Os cientistas acreditam que estes sinais rítmicos ajudam a transmitir informações a distâncias curtas e longas.
Neste novo estudo, Eleuteri e seus colegas — entre eles, Catherine Hobaiter, da Universidade de St. Andrew, no Reino Unido, e Andrea Ravignani, da Universidade La Sapienza, em Roma - compilaram mais de um século de dados coletados por observação.
Após separar o ruído ambiental, a equipe se concentrou em 371 amostras de batuques de boa qualidade, registrados em 11 comunidades de chimpanzés de seis grupos no leste e no oeste da África, tanto em hábitats na floresta tropical quanto na savana.
Sua análise demonstrou que os chimpanzés batucam com uma intenção rítmica definida, ou seja, a sincronização de seus toques não é aleatória.
- Dinâmica social -
Os pesquisadores também sugeriram diferenças entre as subespécies: os chimpanzés da África ocidental tendiam a produzir ritmos mais uniformes, enquanto os da África oriental alternavam com maior frequência entre intervalos mais curtos e mais longos.
No oeste, também batucavam com mais frequência, mantinham um ritmo mais acelerado e começavam a batucar antes em suas vocalizações, compostas por arfadas e bramidos.
Os pesquisadores ainda não sabem a causa destas diferenças, mas sugerem que poderia indicar diferenças na dinâmica social.
O pulso mais rápido e previsível dos chimpanzés do oeste poderia indicar maior coesão social, segundo os autores do estudo, que observaram que estes são frequentemente menos agressivos em relação a indivíduos externos ao grupo.
Ao contrário, os ritmos variáveis dos símios do leste estariam associados a uma quantidade maior de matizes, úteis para localizar ou alertar companheiros mais espalhados.
Agora, Hobaiter gostaria de estudar os dados com mais profundidade para compreender se há diferenças intergeracionais entre os ritmos dentro dos mesmos grupos.
"A música não é só uma diferença entre estilos musicais diversos, mas um estilo musical como o rock ou o jazz vai evoluir em si mesmo com o tempo", disse.
"Vamos ter que encontrar uma forma de distinguir entre as diferenças de grupo e as diferenças intergeracionais para abordar a questão de se se aprende socialmente ou não", explicou. "Será que alguém aparece com um novo estilo musical e a geração seguinte o adota?"
S.Jackson--AT