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Pesquisa revela quadro 'falso' do pintor Rubens na National Gallery de Londres
O quadro do pintor flamengo Peter Paul Rubens "Sansão e Dalila", exposto na National Gallery de Londres, seria, na verdade, uma cópia, afirma uma pesquisa recente, que o atribui a estudantes de uma academia espanhola de belas artes.
Segundo a pintora e historiadora grega Euphrosyne Doxiadis, a obra atribuída ao pintor nascido na Antuérpia e exposta no museu de Londres seria um trabalho coletivo realizado por alunos da Real Academia de Belas Artes de San Fernando, em Madri.
Em 1980, o museu londrino adquiriu esse quadro, supostamente do século XVII e atribuído a Peter Paul Rubens por 2,5 milhões de libras (em valores da época).
A artista e historiadora grega, autora do livro "NG6461: O falso Rubens", que será lançado na próxima quarta-feira, defende, no entanto, que a autoria do quadro não deve ser atribuída ao renomado pintor flamengo.
"Rubens pintou um quadro chamado 'Sansão e Dalila', mas esse quadro da National Gallery não é esse", afirma à AFP Euphrosyne Doxiadis, de 78 anos.
A autora grega coloca Gastón Levy, um restaurador de quadros nascido no Rio de Janeiro em 1885 e morto em Nova York em 1958, que estudou na academia espanhola, como pessoa-chave no processo da suposta cópia.
"A obra foi pintada entre 1901, quando Gastón Levy era estudante [em Madri], e 1929, quando a vendeu em Paris, mas não como um Rubens", explica Doxiadis.
A autora acredita que a peça é atribuível aos estudantes da academia espanhola, porque tem pinceladas pós-impressionistas características da obra de Joaquín Sorolla, um dos professores da escola no início do século XX.
"Porque também nessa famosa escola de Madri, desde 1824, o pintor Federico de Madrazo, que foi professor ali, introduziu um programa com o qual se ensinava os estudantes a pintar cópias de velhos mestres em seu processo de aprendizagem", explica, acrescentando que Rubens era um deles.
A National Gallery argumenta que a obra que adquiriu foi "considerada durante muito tempo pelos principais especialistas uma obra-prima de Peter Paul Rubens".
Após ser vendida em Paris em 1929, seu novo proprietário conseguiu que um especialista "autenticasse" a obra como do mestre flamenco.
Em 1985, Doxiadis viu a obra da National Gallery e imediatamente afirmou que "era somente uma cópia".
O que acendeu seu sinal de alerta foram as cores "estridentes".
"Sobretudo a falta de harmonia das cores (...), o desenho e a composição, que eram totalmente incoerentes", recorda.
Além disso, Doxiadis diz que a pintura original de Rubens foi pintada sobre madeira de carvalho, enquanto o quadro da National Gallery é uma tela.
H.Thompson--AT