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Batalha legal, protestos, pressão internacional: principais pontos da crise na Venezuela
A controversa reeleição de Nicolás Maduro mergulhou a Venezuela em mais incertezas: o presidente, favorecido por todos os poderes, iniciou uma batalha legal para resolver as denúncias de fraude que geraram protestos e pressão internacional para verificar as atas.
Maduro, líder do movimento chavista que começou há mais de 25 anos, afirma que ganhou de forma limpa no domingo (28), mas a oposição alega o contrário. A líder María Corina Machado diz ter provas da vitória de seu representante na cédula eleitoral, Edmundo González Urrutia, e convocou mais mobilizações.
- O caminho "legal" -
Proclamado reeleito com 51% dos votos, Maduro decidiu remeter a controvérsia ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), após a pressão e críticas por parte da oposição e da comunidade internacional diante da falta de publicação das atas pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
O presidente denuncia um "golpe de Estado" e aponta que a oposição tentou hackear o sistema eleitoral para impedir que ele fosse declarado vencedor.
"Felizmente, o CNE conseguiu resguardar as atas e proclamar o vencedor", disse à AFP o ministro das Comunicações, Freddy Ñáñez.
Mas há dúvidas sobre essa batalha judicial. "Todas as instituições do Estado estão nas mãos do governo", adverte o cientista político Luis Angarita.
- Repressão -
Maduro prometeu agir com firmeza contra os "fascistas" nas manifestações e ordenou uma mobilização das forças de segurança, especialmente nos bairros onde ocorreram a maioria dos protestos.
"Desta vez não haverá perdão", garantiu Maduro, que pediu prisão para Machado e González Urrutia e a pena máxima para os "violentos" e manifestantes.
Já há mais de 1.000 detidos pelas manifestações, segundo o Ministério Público, que promete acusá-los de "terrorismo". Também reportou a morte de um militar.
Organizações de defesa dos direitos humanos indicaram 11 civis mortos em protestos, embora a oposição aponte 16.
- A "fraude" -
A oposição assegura ter reunido mais de 80% das atas, que dariam a González Urrutia a vitória com 67% dos votos, graças a testemunhas espalhadas nos 30 mil colégios eleitorais.
O especialista eleitoral Eugenio Martínez não acredita na teoria do hackeamento: teriam "que hackear 15 mil linhas de transmissão criptografadas".
Um observador informado acredita que os que estão no poder provavelmente sabotaram o sistema para fraudar.
- Pressão internacional -
Apoiada pelos Estados Unidos, a União Europeia e também mais moderadamente por vizinhos de esquerda latino-americanos como a Colômbia, a oposição exige uma auditoria independente das eleições com revisão das atas.
No entanto, Maduro parece seguro e ordenou a expulsão de diplomatas de sete países da região: Argentina, Chile, Costa Rica, Peru, Panamá, República Dominicana e Uruguai. E comemora o "grande apoio" da Rússia, Irã, Belarus, Cuba, Nicarágua e Bolívia.
Também lembrou que seu país está acostumado a "resistir" e ressaltou que os EUA, como outros países latino-americanos, sofrem por não poder receber mais petróleo da Venezuela.
- Protestos -
As manifestações contra Maduro começaram de forma espontânea na segunda-feira. Primeiro com um panelaço em várias zonas populares e diversas regiões do país e depois com mobilizações nas ruas.
Elas foram reprimidas pelas forças de segurança, que agora se desdobram em massa ao final da tarde como parte das ordens de Maduro. Machado, porém, convocou ainda mais protestos.
Duas perguntas persistem: a oposição consegue se mobilizar e tirar Maduro com pressão nas ruas? O Exército será leal?
Após cerca de sete milhões de venezuelanos abandonarem o país, muitos acreditam que a oposição já não é capaz de reunir multidões.
Alguns esperam que as Forças Armadas, pilar do poder privilegiado pelo ex-presidente Hugo Chávez e depois por Maduro, estejam se fragmentando.
A.Ruiz--AT