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Ator francês Gérard Depardieu será julgado em outubro por supostas agressões sexuais
O ator francês Gérard Depardieu, acusado de ter agredido sexualmente duas mulheres em 2021, será julgado em outubro, informou o Ministério Público de Paris, depois de que o astro do cinema foi liberado após um interrogatório policial nesta segunda-feira (29).
O ator de 75 anos foi detido pela polícia judiciária de Paris, onde foi intimado a comparecer para um interrogatório sobre supostas agressões sexuais a duas mulheres em uma nova etapa da saga judicial contra essa lenda do cinema.
O ator foi liberado horas depois e o Ministério Público anunciou durante a tarde que ele será julgado em outubro.
"Gérard Depardieu recebeu uma convocação para comparecer ante o tribunal [...] por agressões sexuais provavelmente cometidas em setembro de 2021 em prejuízo de duas vítimas durante a filmagem do filme 'Les Volets Verts'", indicou o Ministério Público.
A primeira mulher, que o denunciou em fevereiro, é uma cenógrafa que trabalhou na produção de "Les Volets verts", de Jean Becker, e que acusa o ator de agredi-la sexualmente em 2021.
A denunciante declarou em março ao site Mediapart que o ator fez comentários indecentes e depois a "agarrou brutalmente" e "esfregou sua cintura, a barriga, até os seios".
"É um alívio", declarou à AFP Carine Durrieu-Diebolt, advogada que representa a cenógrafa.
"Sem dúvida, há outras vítimas. Até agora, entre 20 e 25 mulheres denunciaram incidentes que vão desde o menosprezo à violência de gênero, passando pelo assédio e pela agressão sexual. É o momento que seja julgado", acrescentou a advogada, que também defende uma mulher que denunciou o ator por supostos crimes que podem ter ocorrido em 2014.
Segundo a Mediapart, outro mulher, que era assistente de direção na mesma filmagem, acusa o ator de violência sexual e também o processou.
O julgamento do ator abordará essas duas acusações.
Mas Depardieu também foi acusado por uma ex-assistente de direção - que denuncia atos semelhantes ocorridos em 2014. Segundo a emissora BFMTV, a suposta agressão aconteceu durante as filmagens do curta-metragem "Le Magicien et les Siamois", de Jean-Pierre Mocky.
A denunciante, que tinha 24 anos no momento da agressão, apresentou queixa no dia 9 de janeiro. Ela acusa Depardieu de utilizar "palavras indecentes" em sua mansão em Paris.
Em uma entrevista ao jornal regional 'Le Courrier de l'Ouest' em fevereiro, a mulher, que deseja permanecer no anonimato, também citou as mãos do ator "por todo o corpo" durante as filmagens.
É a primeira vez que Depardieu que esteve sob custódia policial por supostas agressões sexuais, embora no passado tenha sido preso por um acidente de moto em estado de embriaguez.
- Saga judicial -
"Nunca abusei de uma mulher", garantiu o ator em uma carta aberta publicada em outubro de 2023 pelo jornal Le Figaro, em referência às acusações de Charlotte Arnould.
Em dezembro de 2020, a Justiça acusou Depardieu de agredir sexualmente esta atriz, que denunciou dois estupros na casa do ator em Paris em agosto de 2018.
No final de dezembro, a Justiça arquivou a queixa da atriz Hélène Darras, que o acusou de tê-la agredido sexualmente durante uma filmagem em 2007, por prescrição dos fatos.
Nesse mês, a jornalista e escritora espanhola Ruth Baza anunciou que denunciou o ator na Espanha por estupro que supostamente ocorreu em Paris em 1995.
Quase 20 mulheres o denunciaram à imprensa ou à Justiça por supostas agressões sexuais. Segundo o Mediapart, Depardieu tocou os "seios e nádegas" de outra mulher durante as filmagens do filme de Becker.
Jean Becker "sabia perfeitamente que duas mulheres haviam sido seriamente assediadas", disse à AFP a atriz Anouk Grinberg, que participou do filme.
Depardieu nega as repetidas acusações contra ele, que se tornaram uma frente de guerra cultural na França, dividindo o mundo do cinema e colocando grupos feministas contra os defensores do ator.
Além do premiado intérprete de Cyrano de Bergerac, a Justiça investiga os cineastas franceses Benoît Jacquot e Jacques Doillon por estupro de uma menor, após a denúncia da atriz Judith Godrèche.
Além das queixas, uma reportagem do programa "Complément d'enquête" gerou polêmica em dezembro devido aos comentários obscenos de Depardieu sobre uma menina de 10 anos na Coreia do Norte que andava a cavalo.
Após a exibição do programa, o presidente francês, Emmanuel Macron, denunciou que o ator foi objeto de uma "caçada humana" e ofereceu o seu apoio a um "ator imenso" que deixou a França "orgulhosa".
E.Hall--AT