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Armeira de 'Rust' é condenada a 18 meses de prisão por disparo mortal
A armeira do filme "Rust", produzido por Alec Baldwin e em cuja gravação a diretora de fotografia morreu atingida por um disparo, foi condenada, nesta segunda-feira (15), a 18 meses de prisão pela Justiça americana.
Hannah Gutierrez-Reed havia carregado o revólver com o qual Baldwin estava ensaiando em outubro de 2021 quando a filmagem virou tragédia em um rancho do Novo México (sudoeste): uma bala real matou a diretora de fotografia Halyna Hutchins e feriu o diretor Joel Souza.
"Você era a armeira, a pessoa que ficava entre um arma segura e um arma que poderia matar alguém. Você, sozinha, transformou uma arma segura em um arma letal", disse a juíza Mary Marlowe Sommer.
"Se não fosse por você, a senhorita Hutchins estaria viva. Um marido teria sua companheira e um menino pequeno teria sua mãe", acrescentou.
No julgamento de Gutierrez, que durou 10 dias, ouviu-se como, apesar de ser a responsável pelas armas do fogo no set, a jovem de 26 anos havia descumprido repetidamente as regras básicas de segurança, deixando as armas sem vigilância e permitindo que os atores, incluído Baldwin, as empunhassem.
Também se soube que Gutierrez era a responsável pela presença de seis cartuchos com munição real - uma linha vermelha na indústria cinematográfica - e que havia colocado um deles no Colt .45 que Baldwin estava utilizando.
A arma disparou quando o ator preparava uma cena no interior de uma igreja de madeira, matando Hutchins e ferindo o diretor Souza.
"Halyna Hutchins morreu devido a uma sequência de violações de segurança que começou quando a senhorita Gutierrez introduziu munição real no set do filme, carregou uma em uma pistola cenográfica e disse aos membros da equipe que era uma pistola fria", apontou a promotora Kari Morrissey na vista da sentença em Santa Fe.
"Essa conduta, irresponsável e sem arrependimento, merece uma sentença de 18 meses".
- Tragédia terrível -
Morrissey disse à juíza que, desde sua condenação, Gutierrez fez cerca de 200 telefonemas da prisão, nos quais se queixava de ser vitimizada injustamente.
"Ao invés de aceitar a responsabilidade, optou por culpar as testemunhas que depuseram contra ela, a mim, a você, aos membros do júri, ao médico do set e aos paramédicos que tentaram salvar a vida da senhorita Hutchins", declarou Morrissey. "Seus telefonemas... Nos dizem quem é realmente a senhorita Gutierrez".
A armeira de "Rust" chorou, enquanto implorava que o tribunal a colocasse em liberdade condicional, ao invés da prisão, mas insistiu em que ela não era totalmente culpada.
"Sua Senhoria, quando fiquei a cargo de 'Rust', era jovem e ingênua. Mas levei meu trabalho tão a sério quanto soube executá-lo, apesar de não dispor do tempo, dos recursos e do pessoal adequados", afirmou.
"O júri me considerou em parte culpada por esta terrível tragédia, mas isso não me transforma em um monstro. Isto me faz humana", acrescentou.
Baldwin, que também era produtor do filme, vai responder a um julgamento próprio por homicídio involuntário em julho. Ele nega a acusação.
Se for considerado culpado, o ator também poderá ser sentenciado a 18 meses de prisão.
Dave Halls, coordenador de segurança e assistente de direção do filme, que entregou a Baldwin a arma carregada, chegou a um acordo com a Promotoria no ano passado e foi condenado a seis meses de liberdade condicional.
A tragédia chocou Hollywood e provocou apelos por uma proibição total do uso de armas nas filmagens.
No entanto, especialistas da indústria insistiram em que já há normas para evitar este tipo de incidentes e que aqueles que trabalharam em "Rust" não as respeitaram.
A tragédia paralisou as filmagens do western, concluídas no ano passado em Montana.
O viúvo da diretora de fotografia, Matthew Hutchins, que chegou a um acordo com a produção do filme por homicídio culposo, trabalhou como produtor executivo do longa.
"Rust" ainda não tem data de estreia prevista.
Th.Gonzalez--AT