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Flávio Bolsonaro desembarca nos EUA depois de fugir do Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou à Flórida nesta quarta-feira (28), após fugir do Brasil via Argentina, dias depois de perder a eleição para o presidente Lula.
O senador de 45 anos e sua família chegaram a bordo de um jato ao aeroporto de Opa-Locka, nos arredores de Miami, após uma fuga cinematográfica que causou estupefação dentro e fora do Brasil.
Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, fugiu do Brasil para a Argentina na noite de terça-feira e partiu de avião rumo ao Equador, onde fez uma breve parada na madrugada desta quarta-feira, antes de seguir para os Estados Unidos.
O Departamento de Estado afirmou que os Estados Unidos concederiam vistos a ele e à sua família, que o acompanha na fuga.
"Acho que são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, acho que foi terrível", declarou o presidente Donald Trump, aliado dos Bolsonaro, antes da chegada do senador ao país.
Flávio Bolsonaro não reconheceu sua derrota eleitoral após o segundo turno de domingo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele havia liderado o primeiro turno, mas Lula conseguiu uma virada inesperada.
O senador estava proibido por ordem judicial dada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de deixar o país no âmbito de uma investigação por lavagem de dinheiro.
Seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, vive nos Estados Unidos desde 2023 e também é investigado pela Justiça brasileira.
- Confusão -
A saída de Flávio do Brasil foi marcada por uma grande confusão. A imprensa americana informou na terça-feira que o candidato presidencial derrotado já estava no país.
Fontes do governo da Argentina, cujo presidente Javier Milei é aliado da família Bolsonaro, negaram que o senador havia entrado no país.
Mas algumas horas depois, a Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que Flávio atravessou a fronteira pouco antes da meia-noite "com documentação de viagem válida, sem nenhum impedimento legal".
A oposição a Milei exige explicações diante de uma eventual ajuda do governo.
Na madrugada de quarta-feira, a aeronave que transportava Flávio Bolsonaro pousou em Guayaquil, onde abasteceu e voltou a decolar meia hora depois.
- Passaportes cancelados -
Na segunda-feira, Flávio Bolsonaro definiu a proibição judicial de deixar o país como uma "tentativa de intimidá-lo".
Também descartou qualquer intenção de partir e afirmou que pretendia atuar como líder da oposição.
"Nunca pensei em sair do país. Vou entregar meus passaportes e vou me defender dessa aberração", disse em vídeo.
O senador é investigado por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro no financiamento de um filme sobre seu pai, entre outras coisas.
Uma fonte policial brasileira informou na terça-feira à AFP que os passaportes brasileiros do senador, inclusive os diplomáticos, foram cancelados.
No entanto, ele possui cidadania italiana desde 2023, conforme consta em um documento de 2025 do Parlamento italiano consultado pela AFP.
Lula disse na terça-feira que não tinha "informações precisas" sobre uma fuga de seu adversário eleitoral, mas opinou que isso seria "vergonhoso".
"O Brasil é a segunda pátria dele, a primeira pátria é lamber botas dos Estados Unidos", atacou o presidente reeleito durante a celebração de seu aniversário de 81 anos em Brasília.
As informações sobre a partida de Flávio Bolsonaro causaram perplexidade entre seus aliados.
"Não temos ainda notícia sobre seu paradeiro", disse a jornalistas em Brasília seu chefe de campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN).
"Nós tentamos contatar o Flávio (...) e recebi por parte dele uma mensagem de texto onde ele dizia que iria dar um tempo hoje e que depois conversaria conosco. E pronto. Foi a única comunicação que eu tive com ele", acrescentou.
- Seguindo os passos da família -
Eduardo Bolsonaro já atuava há vários meses como interlocutor com o governo Trump. Os Estados Unidos receberam seu pai, Jair, por três meses, quando ele viajou ao país antes da posse de Lula em 2023.
Eduardo disse, na semana passada em um podcast americano, que era favorável a que seu irmão deixasse o Brasil caso não vencesse as eleições, por causa das investigações judiciais contra ele.
Após perder as eleições, Flávio Bolsonaro afirmou que pediria a anulação do segundo turno, argumentando que a decisão judicial de prorrogar a votação em duas horas beneficiou Lula.
O presidente Lula venceu o segundo turno com quase 52% dos votos, contra 48% do conservador, uma diferença de mais de 4 milhões de votos.
A.O.Scott--AT