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Novos bombardeios russos em Kiev após destituição do braço direito de Zelensky
Drones russos bombardearam novamente Kiev neste sábado (29), poucas horas após o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, destituir seu chefe de gabinete Andrii Yermak, um dos homens mais influentes do país, investigado por corrupção.
A saída de Yermak, 54 anos, acontece em um momento muito delicado para a Ucrânia, tanto na frente de batalha quanto nas negociações com os Estados Unidos sobre um plano para tentar acabar com quase quatro anos de guerra com a Rússia.
O braço direito de Zelensky deveria liderar a delegação ucraniana nos diálogos previstos para este fim de semana nos Estados Unidos. Sua destituição ocorre apenas duas semanas após a revelação de um escândalo de corrupção no setor energético do país.
O mandatário ucraniano informou que se reuniria durante o dia com os possíveis substitutos de Yermak, nomeado em 2020.
Mais de 600.000 habitantes ficaram sem energia elétrica após novos bombardeios russos em Kiev, informou o Ministério da Energia ucraniano.
Os ataques deixaram pelo menos um morto e dezenas de feridos, segundo as autoridades.
Jornalistas da AFP ouviram fortes explosões por volta da meia-noite no centro da cidade. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, atribuiu o ataque a Moscou.
"É uma tentativa por parte dos russos de aterrorizar pura e simplesmente a população civil", denunciou o comandante da administração militar da cidade, Timur Tkachenko.
A Rússia, por sua vez, sofreu um ataque com drones navais que danificou um grande terminal de petróleo na área do porto de Novorossisk, sul do país.
"Após um ataque terrorista executado por embarcações não tripuladas (...) o ponto de atracação único nº 2 sofreu danos consideráveis", afirmou em um comunicado o Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC), que administra quase 1% do fornecimento mundial de petróleo.
- "Ali Babá" -
Na sexta-feira, Zelensky fez um apelo de unidade aos ucranianos. Contudo, há quatro anos, muitas vozes questionavam a crescente influência de Yermak sobre o presidente.
A Agência Anticorrupção Ucraniana (NABU) e a Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAP) realizaram operações de busca na manhã de sexta-feira na residência de Yermak.
As investigações estão relacionadas, segundo deputados da oposição, a um dos maiores escândalos de corrupção da presidência de Zelensky, que resultou, no início de novembro, em várias detenções e na demissão de dois ministros.
A NABU revelou a existência de um "sistema criminoso", orquestrado, segundo os investigadores, por um aliado próximo do presidente. O esquema, segundo a mesma fonte, permitiu o desvio de 100 milhões de dólares (533 milhões de reais) no setor energético.
Zelensky impôs sanções contra o suposto organizador do esquema, Timur Mindich, seu antigo sócio e considerado amigo próximo.
Um deputado da oposição afirma que Yermak é mencionado em gravações de conversas dos suspeitos, onde lhe são atribuídas ordens para pressionar as estruturas anticorrupção.
Nas gravações, ele é identificado pelo apelido "Ali Babá", formado a partir das primeiras letras de seu nome e sobrenome, Andriy Borisovich.
Ex-produtor de cinema e jurista especializado em propriedade intelectual, Yermak trabalhou ao lado de Zelensky nos anos em que o atual presidente era um comediante muito popular.
Era considerado o segundo homem mais influente do país, depois do mandatário.
Desde o início da invasão russa, ele liderou várias rodadas de negociações com os americanos em Washington, assim como no fim de semana passado em Genebra.
Para o analista político Volodimir Fessenko, a situação "enfraquece" a posição de Kiev nas negociações sobre o plano americano e Moscou aproveitará este escândalo "sem dúvida alguma".
bur-fv-ant-pop/thm/lpt/sag/avl/fp
N.Mitchell--AT