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Pior incêndio em décadas deixa 128 mortos em Hong Kong
O número de mortos no pior incêndio registrado em várias décadas em Hong Kong subiu nesta sexta-feira para 128, informaram as autoridades, que destacaram que os alarmes dos arranha-céus residenciais devastados pelas chamas não funcionaram de maneira correta.
Em uma busca angustiante, os parentes de mais de 100 pessoas que continuam desaparecidas percorreram hospitais e centros de identificação de vítimas com a esperança de encontrar seus familiares. Segundo as autoridades, 89 cadáveres ainda não foram identificados.
O incêndio começou na tarde de quarta-feira (26) nos tradicionais andaimes de bambu instalados nas torres em reforma do conjunto residencial Wang Fuk Court, que tem mais de 1.800 apartamentos, no distrito de Tai Po, na zona norte do território.
Após um incidente que durou mais de 40 horas nos edifícios de 31 andares, o incêndio foi "praticamente extinto" na manhã de sexta-feira, informou o departamento de bombeiros, que anunciou o fim das operações de busca por sobreviventes.
O secretário de Segurança da cidade, Chris Tang, informou em uma entrevista coletiva que apenas 39 corpos foram identificados e que 79 pessoas sofreram ferimentos.
As autoridades investigam as causas da tragédia, incluindo a presença dos andaimes de bambu altamente inflamáveis e das redes de proteção de plástico que frequentemente envolvem os edifícios em reforma na cidade.
O chefe dos bombeiros, Andy Yeung, revelou que os alarmes contra incêndio dos edifícios afetados "não funcionavam de maneira correta" e disse que "medidas coercitivas" serão adotadas contra os responsáveis.
Moradores do complexo afirmaram à AFP que não ouviram nenhuma sirene e que precisaram seguir de porta em porta para alertar os vizinhos sobre o perigo.
Tang acrescentou que as investigações podem durar de três a quatro semanas.
Durante a manhã de sexta-feira, as equipes de emergência retiraram corpos dos escombros. Um correspondente da AFP contou quatro em um período de 15 minutos.
Os corpos foram levados para um necrotério próximo, onde as famílias devem identificar as vítimas.
Em um hospital de Sha Tin, uma mulher de 38 anos que se identificou apenas como Wong procurava sua cunhada e a irmã gêmea desta, sem sucesso.
"Ainda não as encontramos. Estamos visitando vários hospitais para perguntar se eles têm boas notícias", disse, entre lágrimas, à AFP.
- Investigação -
Este foi o incêndio com o maior número de mortos em Hong Kong desde 1948, quando uma explosão seguida de um incêndio provocou as mortes de pelo menos 135 pessoas.
Incêndios fatais já foram um problema frequente na densamente povoada Hong Kong, especialmente nos bairros mais pobres, mas a adoção de medidas de segurança reduziu o número de incidentes.
A agência anticorrupção de Hong Kong iniciou uma investigação sobre as obras de reforma no complexo afetado. A polícia anunciou a detenção de três homens suspeitos de negligência depois que deixaram embalagens de espuma no local.
O Departamento de Trabalho informou que realizou 16 inspeções nas obras de manutenção no Wang Fuk Court desde julho de 2024, a mais recente em 20 de novembro, e que emitiu "advertências".
O governo anunciou uma inspeção urgente em todos os conjuntos habitacionais com obras importantes e examinará a substituição dos andaimes de bambu por andaimes de metal.
- Esforço comunitário -
Também será criado um fundo de US$ 38,5 milhões (R$ 206 milhões) para ajudar as vítimas. As atividades relacionadas às eleições legislativas de 7 de dezembro em Hong Kong foram suspensas.
Multidões comovidas pela tragédia se reuniram perto do complexo para organizar uma ajuda às vítimas.
Postos de distribuição de roupas, alimentos e artigos para o lar foram instalados em uma praça pública, assim como cabines que ofereciam atendimento médico e psicológico.
Os postos receberam tantas doações que os organizadores anunciaram nas redes sociais que não era necessário enviar mais.
"É realmente comovente. O espírito dos habitantes de Hong Kong é que, quando alguém tem problemas, todos lhe oferecem apoio", afirmou Stone Ngai, de 38 anos, um dos responsáveis por um desses pontos.
"É comovente. O espírito dos moradores de Hong Kong é de que, quando alguém tem um problema, todos oferecem apoio", descreveu Stone Ngai, 38, um dos organizadores de um posto improvisado.
Y.Baker--AT