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Megaoperação contra o crime no Rio deixa cerca de 20 mortos
O Rio de Janeiro registrou, nesta terça-feira (28), cenas de guerra, com pelo menos 18 supostos criminosos e vários policiais mortos na "maior operação da história" da cidade contra o tráfico de drogas, segundo as autoridades.
"Agora temos 18 criminosos neutralizados", declarou o governador do estado Cláudio Castro (PL), em coletiva de imprensa.
"Temos casos de policiais infelizmente mortos e alguns sendo já atendidos, também por causa da força da operação", acrescentou, sem fornecer um número.
Cerca de 2.500 agentes da lei participam da "Operação Contenção" para "combater a expansão territorial do Comando Vermelho", a maior organização criminosa do Rio de Janeiro, informou o governo do estado.
- 200 mil impactados -
A força pública entrou de madrugada nos Complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da cidade, a bordo de 32 veículos blindados.
No local, foi apreendida "uma grande quantidade de drogas", afirmou Castro, sem dar mais detalhes.
Foram presas 81 pessoas e a polícia apreendeu 42 fuzis, segundo o governo estadual.
Dois helicópteros e vários drones acompanham a operação, que continua em andamento.
Um fotógrafo da AFP viu dezenas de policiais fortemente armados na favela Vila Cruzeiro, na Penha, levando vários homens detidos, a maioria descalços e sem camisa.
Saraivadas de tiros continuam aterrorizando a população da região, e os comércios permanecem fechados, observou a AFP.
"Mais de 200 mil moradores seguem impactados por escolas fechadas, ônibus desviados e unidades de saúde com atendimentos suspensos", informou a Assembleia Legislativa do Estado (Alerj).
"Os batalhões estão em prontidão" para possíveis represálias, declarou Castro.
- "Bombas lançadas por drones" -
O governador também publicou um vídeo no X mostrando um drone lançando um projétil do céu.
"É assim que a polícia do Rio de Janeiro é recebida por criminosos: com bombas lançadas por drones. Esse é o tamanho do desafio que enfrentamos. Não é mais crime comum, é narcoterrorismo.", declarou.
Segundo Castro, a operação em curso "é maior do que a de 2010".
Naquele ano, houve uma operação espetacular em que policiais e militares retomaram o controle da mesma região após confrontos que deixaram cerca de 30 mortos.
Em 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) impôs algumas restrições a essas operações nas favelas, como a limitação do uso de helicópteros e da atuação em áreas próximas a escolas ou postos de saúde.
Essas medidas foram suspensas este ano por decisão do Supremo.
Especialistas e organizações de defesa dos direitos humanos criticam esse tipo de operação porque tem pouca eficácia contra as organizações criminosas.
Exigiremos "explicações sobre as circunstâncias da ação, que transformou novamente as favelas do Rio em cenário de guerra e barbárie", disse à AFP por escrito a deputada estadual Dani Monteiro (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Em 2024, cerca de 700 pessoas morreram em intervenções policiais no Rio, quase duas por dia.
A.Moore--AT