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Venezuela condena 'incursão ilegal' de caças dos EUA
O governo da Venezuela condenou nesta quinta-feira (2) o que chamou de "incursão ilegal" de caças dos Estados Unidos em uma área sob seu controle, em meio à tensão crescente entre os dois países após o envio por Washington de navios de guerra ao Caribe para combater o narcotráfico.
Os Estados Unidos estão envolvidos em um "conflito armado" contra os cartéis das drogas, afirmou o presidente Donald Trump em notificação enviada pelo Pentágono ao Congresso, à qual a AFP teve acesso hoje.
O documento busca respaldar legalmente as operações de Washington na costa da Venezuela, que Caracas alega serem um pretexto para derrubar o presidente Nicolás Maduro.
Os ministérios da Defesa e das Relações Exteriores da Venezuela denunciaram e rechaçaram o que chamaram de "incursão ilegal" de aviões de combate americanos, que, segundo disseram, foi detectada hoje a cerca de 75 km da costa venezuelana. Não ficou claro se foi uma violação de seu espaço aéreo.
"Essa ação colocou em sério risco a segurança operacional da aviação civil e comercial no Mar do Caribe", afirmaram as pastas, em comunicado conjunto.
"Essa notícia grave se soma a incursões ilegais semelhantes registradas previamente e já denunciadas pelo Governo Bolivariano, o que configura um padrão de perseguição."
O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, disse mais cedo que o sistema de defesa aéreo venezuelano havia identificado "mais de cinco vetores".
"O imperialismo americano ousou se aproximar da costa venezuelana", declarou ele à TV estatal. "Estamos vendo. A presença desses vetores não nos intimida."
Segundo Padrino, pilotos da aviação comercial também observaram caças americanos. "Denuncio perante o mundo essa situação, que não deixa de ser uma provocação, mas também uma ameaça à segurança nacional."
- Legalidade -
Os Estados Unidos, que acusam Maduro de liderar uma organização "narcoterrorista", destacaram há quase um mês oito navios de guerra no Mar do Caribe e dez aviões de combate F-35 em Porto Rico, como parte da sua operação antidrogas, que a Venezuela classifica como "assédio" e "ameaça".
Trump disse nesta semana que as forças mobilizadas no Caribe destruíram na costa da Venezuela quatro lanchas que supostamente transportavam drogas. essas ações causaram 17 mortes, segundo informações americanas.
Especialistas questionaram a legalidade das ações de Washington.
"Como dissemos em repetidas ocasiões, o presidente agiu conforme a lei dos conflitos armados, para proteger nosso país daqueles que tentam trazer veneno mortal para nossa costa", disse à AFP a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly.
"Cumpre sua promessa de combater os cartéis e evitar que essas ameaças à segurança nacional sigam assassinando americanos."
Segundo um funcionário da Casa Branca, a notificação do Pentágono foi enviada ao Congresso porque a lei o exige após qualquer ataque que envolva o Exército americano. "Não traz nenhuma informação nova."
- Soberania -
Maduro respondeu com a mobilização de navios de guerra, helicópteros, aviões de caça e de transporte e veículos anfíbios com 2.500 efetivos. Também realizou simulações para emergências e jornadas de treinamento para os alistados na Milícia Bolivariana, um corpo militar composto por civis.
O presidente venezuelano afirmou, ainda, que tem pronto um decreto para declarar um estado de comoção exterior, uma medida excepcional para conflitos armados que amplia seus poderes. Ela nunca foi aplicada e poderia levar à suspensão de certas garantias constitucionais.
O governo decorou prédios públicos com luzes e celebrou o início da temporada com fogos de artifício, como na sede do serviço de inteligência, o temido edifício conhecido como Helicoide, onde há "presos políticos".
Padrino apresentou um balanço de operações contra o narcotráfico e anunciou até a destruição de acampamentos pertencentes a guerrilhas colombianas, como o ELN e dissidências das antigas Farc.
"Estamos dispostos a defender nossa soberania, nosso espaço geográfico, diante de qualquer intruso", afirmou o ministro. "Quem estiver operando por ali, narcotraficantes, saia do território venezuelano, vá delinquir em outro lugar", insistiu.
D.Lopez--AT