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Presidente da Bolívia pede que se siga o rumo da esquerda antes das eleições
O presidente da Bolívia, Luis Arce, pediu nesta quarta-feira (6), durante a comemoração do bicentenário do país, que se siga com o rumo traçado pela esquerda após duas décadas, apesar da profunda crise econômica, às vésperas das eleições presidenciais de 17 de agosto.
A situação econômica é a principal preocupação dos bolivianos, que nas pesquisas não favorecem a esquerda. As intenções de voto estão concentradas por enquanto em dois candidatos da oposição, que chegariam ao segundo turno.
Em julho, a inflação na Bolívia chegou a 25,8% ao ano, o pico mais alto pelo menos desde 2008. O governo Arce quase esgotou suas reservas internacionais de dólares para sustentar suas importações de combustíveis que vende com prejuízo no mercado interno.
"Por tudo o que foi alcançado, pelo que ainda falta construir, convido vocês a olharem o futuro com esperança. Que ninguém interrompa este processo. Não mudemos o rumo. Hoje, mais do que nunca, precisamos de unidade, maturidade e compromisso com a Bolívia", disse Arce na Casa da Liberdade, em Sucre, onde foi assinada a ata de independência do país, em 6 de agosto de 1825.
O presidente, no poder desde 2020, fez um balanço das mudanças implementadas pelo esquerdista Movimento ao Socialismo (MAS) desde 2006, quando chegou ao poder pelas mãos de Evo Morales (2006-2019), como a promulgação de uma nova Constituição e a nacionalização dos hidrocarbonetos.
Ele responsabilizou pela atual crise econômica os fenômenos climáticos, os conflitos internacionais, as "sabotagens" na Assembleia Legislativa e os bloqueios rodoviários promovidos por apoiadores de Morales, seu ex-aliado.
"É verdade que enfrentamos dificuldades, escassez de combustíveis, pressão sobre divisas, especulação de preços (...), que são circunstanciais e não refletem fragilidade", afirmou.
Arce abriu mão de disputar a reeleição em maio de 2025, diante da crescente impopularidade de seu governo. Andrónico Rodríguez, o principal candidato da esquerda, afastado da situação, aparece em quarto lugar nas preferências dos eleitores, segundo as últimas consultas.
O.Gutierrez--AT