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México prende 10 ex-militares da Colômbia após explosão que matou 6 membros da Guarda Nacional
O Exército do México prendeu dez ex-militares colombianos durante uma operação no estado de Michoacán (oeste), realizada após uma explosão que matou seis membros da Guarda Nacional mexicana esta semana, informaram fontes oficiais nesta sexta-feira (30).
A captura expõe a participação crescente de ex-militares estrangeiros, particularmente da Colômbia, nos cartéis mexicanos.
As autoridades prenderam no total 17 pessoas, entre elas dez ex-militares e outros dois colombianos, segundo relatórios da Secretaria de Segurança federal e o governo de Michoacán.
A operação se seguiu à morte, na terça-feira passada, de seis membros da militarizada Guarda Nacional na explosão de um artefato. A detonação ocorreu no momento em que eles passavam com um veículo blindado durante uma patrulha, segundo um relatório militar, ao qual a AFP teve acesso.
Tanto a explosão quanto a operação posterior ocorreram no município de Los Reyes, na fronteira entre Michoacán e o estado de Jalisco, onde atua uma das máfias mais poderosas do México, o cartel Jalisco Nova Geração (JNG).
Em fevereiro, este grupo foi designado como "organização terrorista" pelo governo dos Estados Unidos, juntamente com outros cinco cartéis mexicanos.
Michoacán foi cenário de ataques com dispositivos similares por parte de grupos de narcotraficantes, em algumas ocasiões detonados por drones.
- "Mercenários" colombianos -
A presença de colombianos em cartéis mexicanos tem aumentado nos últimos anos, segundo autoridades e especialistas.
A desmobilização da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em 2017, e a diminuição do orçamento militar na Colômbia impulsionaram a chegada de cidadãos colombianos ao México, afirmou à AFP o consultor de segurança David Saucedo.
Alguns vêm diretamente da Colômbia "e outros foram mercenários na Ucrânia (...), fizeram parte da legião estrangeira" que luta na guerra contra a Rússia, acrescentou Saucedo.
Há anos existem registros de que mercenários colombianos, em sua maioria militares reformados, têm lutado em conflitos como os do Afeganistão, Iêmen e Iraque.
Em 2023, pistoleiros colombianos mataram o candidato à Presidência do Equador, Fernando Villavicencio, enquanto em 2021, sicários da mesma nacionalidade assassinaram o então presidente haitiano, Jovenel Moïse.
- Fruto da militarização -
Os cartéis buscam ex-militares e ex-guerrilheiros colombianos por seu conhecimento no uso de explosivos, explicou Saucedo.
Em outubro de 2023, a Secretaria de Segurança Pública de Michoacán reportou o desmantelamento de uma "célula colombiana" dedicada à "fabricação de explosivos com drones".
O vínculo de ex-militares nacionais e estrangeiros não é nova no México, cujos chefões do tráfico mantêm tratos com várias máfias desde a época do extinto cartel de Medellín, chefiado por Pablo Escobar.
Ex-integrantes de uma força de elite do Exército mexicano fundaram, no fim de 1990, o sanguinário cartel de Los Zetas e recrutaram desertores dos kaibiles, forças de operações especiais das Forças Armadas da Guatemala.
A mobilização de ex-militares estrangeiros "é uma reação ao processo de militarização" que o México vive desde 2006, quando o governo lançou uma polêmica operação militar contra as quadrilhas do narcotráfico, avaliou Saucedo.
A espiral de violência desatada desde então fez a taxa de homicídios triplicar no México para 24 por 100 mil habitantes, com cerca de 30.000 casos ao ano e um acumulado de mais de 120 mil desaparecidos.
B.Torres--AT