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Veja o que se sabe sobre o apagão que deixou Espanha e Portugal às escuras
O apagão elétrico maciço, registrado na segunda-feira na Península Ibérica, afetou dezenas de milhões de famílias e empresas, provocando o caos durante horas.
Causas, consequências, explicações... Confira, a seguir, o que se sabe até o momento sobre este corte elétrico de magnitude excepcional.
- O que aconteceu? -
O apagão começou às 12h33 na Espanha e às 11h33 em Portugal (07h33 em Brasília). O corte afetou toda a Península Ibérica, quase 55 milhões de pessoas, além de várias cidades do País Basco francês, na fronteira com a Espanha.
Somente as ilhas Canárias e Baleares e os territórios de Ceuta e Melilla, na costa norte da África, se salvaram do apagão na Espanha. Estas regiões têm poucas conexões elétricas com a península ou inclusive nenhuma, e por isso funcionam de forma independente.
O apagão colossal provocou o caos tanto em Portugal quanto na Espanha, onde os moradores ficaram sem eletricidade, sem internet, nem rede de telefonia celular. Nas grandes cidades houve grandes engarrafamentos, pois os sinais de trânsito pararam de funcionar.
O corte também paralisou as redes de metrô e o tráfego ferroviário. Na Espanha, as autoridades tiveram que auxiliar mais de 35.000 passageiros presos nos trens. O tráfego aéreo também foi perturbado, mas de forma mais limitada, pois os aeroportos dispõem - assim como os hospitais - de geradores de emergência.
- Por que o apagão foi tão prolongado? -
Na França, o gestor da rede elétrica RTE restabeleceu rapidamente o abastecimento. Mas na Espanha e em Portugal, a reativação da eletricidade foi muito mais lenta e muitos moradores destes países tiveram que esperar dez ou até mesmo 20 horas para retomar o abastecimento.
Uma das explicações está na magnitude do apagão que começou, segundo o gestor da rede espanhola (REE), com "uma forte oscilação dos fluxos de potência", acompanhada "de uma perda de geração muito importante", um fenômeno extraordinário.
"Esta perda de geração foi além da perturbação de referência", usada para desenhar e operar os sistemas elétricos na União Europeia, o que provocou "o desligamento do sistema elétrico" da península ibérica "do resto do sistema europeu" e o seu colapso, segundo o REE.
As centrais elétricas, especialmente as nucleares, pararam de funcionar e foi preciso reiniciar "progressivamente as linhas de transmissão e sincronizar as unidades de produção", o que é "lento e tecnicamente difícil", explica Pratheeksha Ramdas, analista da Rystad Energy.
Outra explicação para esta lenta reativação consiste na natureza da rede peninsular, pouco conectada ao restante da UE: para restabelecer a energia, a Espanha pôde receber transferências de eletricidade da França e, em menor medida, do Marrocos, mas de forma limitada.
Da mesma forma, a modesta capacidade de armazenamento de energia da Espanha, atualmente em aproximadamente 1,8 gigawatt/hora, "restringe sua capacidade de amortecer estas flutuações e desacelera a rápida recuperação necessária durante apagões importantes", destaca Pratheeksha Ramdas.
- Qual é a origem possível? -
"Com as análises que conseguimos realizar até este momento, podemos descartar um incidente de cibersegurança", afirmou, nesta terça, Eduardo Prieto, diretor do REE, destacando que não foi detectado "nenhum tipo de intrusão nos sistemas de controle".
As redes sociais amplificaram um boato de um falso comunicado atribuído ao gestor da rede portuguesa REN, que supostamente fazia referência a um "raro fenômeno atmosférico" como origem do apagão. Esta possibilidade também foi descartada.
"Durante o dia de 28 de abril não foi detectado na Espanha nenhum fenômeno meteorológico ou atmosférico incomum", afirmou a Agência Estatal de Meteorologia espanhola (Aemet).
Para tentar esclarecer a origem do corte, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciou a criação de uma comissão investigadora e pediu aos cidadãos para não caírem em especulações.
"Não (se pode) descartar nenhuma hipótese até que tenhamos os resultados destas análises", reiterou nesta terça.
Uma mensagem de prudência similar à de Eduardo Prieto. "Estamos pendentes de receber ainda informação de alguns agentes do setor (...), que nos permita ter toda a informação, uma foto completa dos dados e, portanto, depurar as análises e obter as conclusões oportunas", insistiu.
Th.Gonzalez--AT