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Ruandês residente nos EUA é acusado de esconder passado genocida
Promotores dos Estados Unidos denunciaram um ruandês em Nova York por mentir sobre sua participação no genocídio em Ruanda em 1994 quando solicitou sua permissão de residência e nacionalidade nos Estados Unidos, informaram fontes judiciais nesta quinta-feira (24).
Segundo o texto de acusação, Faustin Nsabumukunzi, de 65 anos e morador de Bridgehampton (Nova York), foi denunciado por fraude na obtenção de visto e tentativa de fraude para naturalização.
O acusado solicitou asilo nos Estados Unidos em 2003 e recebeu a permissão de residência em 2007, antes de solicitar a cidadania em duas ocasiões, em 2009 e 2015.
Em seus pedidos para a obtenção de documentos, o acusado escondeu seu papel como dirigente local e autor de atos violentos durante o genocídio em Ruanda, perpetrado pela maioria hútu contra a minoria tútsi. Mais de 800 mil pessoas morreram entre abril e julho de 1994.
Em seu comparecimento perante um juiz, Nsabumukunzi declarou-se inocente e foi liberado mediante uma fiança de 250.000 dólares (R$ 1,4 milhão), com prisão domiciliar e GPS, mas poderá seguir trabalhando como jardineiro para o investidor privado de Long Island que firmou a fiança.
Se for declarado culpado, pode ser condenado a até 30 anos de prisão.
"Durante mais de duas décadas, [...] viveu nos Estados Unidos com uma ficha limpa não merecida, um luxo que suas vítimas nunca terão", disse John Durham, promotor federal do Distrito Leste de Nova York em comunicado.
"Não importa quanto tempo tenha passado, o Departamento de Justiça vai encontrar e processar indivíduos que cometeram atrocidades em seus países de origem e as encobriram para conseguirem entrar e solicitar a cidadania nos Estados Unidos", advertiu.
Segundo a acusação, Nsabumukunzi utilizou sua posição de liderança para supervisionar a violência e os assassinatos de tútsis em sua zona local, ao mesmo tempo que dirigiu grupos de hútus armados para que matassem tútsis e encorajou o estupro de mulheres tútsis.
Segundo os expedientes judiciais, Nsabumukunzi foi condenado à revelia por um tribunal ruandês por genocídio.
M.Robinson--AT