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Direitos humanos estão sendo 'asfixiados', denuncia ONU
O sistema internacional está sendo alterado e os direitos humanos "estão sendo asfixiados um após o outro", denunciou nesta segunda-feira (24) a ONU, que fez um alerta sobre o possível retorno dos "ditadores".
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, descreveu uma situação "muito perigosa" em um mundo cada vez mais dominado por autoritários, durante um discurso na abertura do Conselho de Direitos Humanos que acontece em Genebra.
Ele não mencionou nenhum país em particular, em um contexto agitado no mundo com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, os Estados Unidos alterando a ordem internacional e uma China mais assertiva.
Segundo Türk, está claro que "o sistema internacional está vivendo uma mudança tectônica".
"O edifício dos direitos humanos que construímos com tanto esforço durante décadas nunca esteve submetido a tanta pressão", declarou.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que "um a um, os direitos humanos estão sendo asfixiados".
Guterres atribuiu o cenário a "autocratas, que esmagam a oposição porque temem o que um povo verdadeiramente empoderado faria. Por um patriarcado que mantém as meninas fora da escola e as mulheres afastadas dos direitos básicos".
"Os direitos humanos são o oxigênio da humanidade", disse Guterres.
Os belicistas, por sua vez, "fazem pouco caso do direito internacional, do direito internacional humanitário e da Carta da ONU", afirmou.
Guterres também lamentou que as guerras e a violência privam as pessoas "de seu direito à alimentação, água e educação".
Türk também advertiu que "durante os séculos precedentes [...] os ditadores podiam ordenar crimes atrozes, condenando à morte um grande número de pessoas. Cuidado: isso pode voltar a acontecer".
"Segundo algumas estimativas, os autocratas controlam agora quase um terço da economia mundial, mais do que o dobro de 30 anos atrás", afirmou.
O secretário-geral da ONU destacou o impacto de "um sistema financeiro global moralmente falido" e de "tecnologias fora de controle, como a inteligência artificial, que são muito promissoras, mas também a capacidade de violar os direitos humanos com o toque de um botão".
Ele ressaltou "a crescente intolerância contra grupos inteiros — de povos indígenas a migrantes e refugiados, passando pela comunidade LGBTQI+ e pessoas com deficiências", assim como as "vozes de divisão e raiva que veem os direitos humanos não como uma bênção para a humanidade, e sim como uma barreira ao poder, lucro e controle que buscam".
Tudo isto combinado "representa uma ameaça direta a todos os mecanismos e sistemas duramente conquistados estabelecidos nos últimos 80 anos para proteger e promover os direitos humanos", alertou Guterres.
T.Wright--AT